O Iridium foi um projeto de satélite, criado pelos engenheiros Bary Bertiger, Ken Peterson e Ray Leopold, dentro da Motorola, em 1987, com a premissa de ser uma rede de comunicação na qual qualquer aparelho — com ou sem sinal terrestre — poderia fazer chamadas. A ideia era audaciosa, já que naquele tempo ter um celular exigia bastante dinheiro.

Até o ano de 1990, quando o projeto foi anunciado pela Motorola, a empresa — que era independente da fabricante — fez algumas adaptações. Inicialmente, o sistema iria contar com 77 satélites, por isso foi nomeado de Iridium,   elemento químico cujo número atômico é também 77. No entanto, após uma revisão dos engenheiros, ficou entendido que 66 já seriam suficientes. O sistema de comunicações foi baseado na tecnologia do programa Star Wars, do presidente Ronald Reagan, durante a Guerra Fria.

O desenvolvimento não era fácil. Foram anos de estudo, com lançamentos espaciais e infraestrutura terrestre. Os primeiros satélites foram enviados ao espaço em 1997 e, só ano seguinte, a Iridium começou a operar. A primeira ligação feita a partir da rede partiu de Al Gore, então vice-presidente dos EUA, para Gilbert Grosvenor, bisneto de Alexander Graham Bell — considerado um dos criadores do telefone — e presidente da Nation Geographic Society. A estreia de peso condizia com a expectativa do mercado, que via a empresa como uma das mais promissoras de Washington.

A inovação e a relevância impediriam o mais pessimista de imaginar em que em agosto de 1999, a empresa fosse obrigada a decretar falência. A iniciativa partiu da própria Motorola, que esperava por alguma oferta do mercado para não tirar todos os satélites de órbita. Acontece que a tecnologia envolvida era de interesse do Departamento de Defesa dos EUA (DoD, na sigla em inglês). A Iridium era o único sistema em órbita terrestre baixa (LEO) e que tinha cobertura global.

Os motivos da crise

Se, no início de seu desenvolvimento, o sistema de satélites parecia a solução dos problemas, no seu lançamento o cenário era outro. Quando a empresa começou a operar, o preço dos celulares já era mais acessível no mundo e, por consequência, as redes terrestres estavam em expansão. Esse cenário desestimulou o potencial da Iridium, afinal, o número de pessoas interessadas em pagar mais caro por um aparelho que operasse via satélite tendia a cair mais e mais.

A salvação

Em 2000, um grupo empresarial liderado por Dan Colussy, comprou a companhia por US$ 25 milhões. Eles assinaram um contrato com o governo estadunidense se comprometendo a estudar novas possibilidades para utilizar a rede junto do DoD. Aos poucos, a Iridium encontrou um novo mercado, atendendo as forças armadas, mineradoras e serviços de emergência.

Cerca de dez anos depois, a então Iridium Satellite LLC fundiu-se a outros investidores para formar a Iridium Communications Inc. O período coincidiu com sua aposta na SpaceX, que passou a ser responsável pelos lançamentos de satélites. Ainda hoje, o sistema conta com o mesmo número de equipamentos, além de outros nove de reserva. A empresa tem a expectativa de que até 2030 atenda o mundo inteiro.

Imagem: Museum Iridium/reprodução.

 

*********************************

Receba gratuitamente a newsletter do Mobile Time e fique bem informado sobre tecnologia móvel e negócios. Cadastre-se aqui!

Siga o canal do Mobile Time no WhatsApp!

As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA