A semana de testes da F1 está terminando para alegria de ferraristas que enxergam uma luz no fim do túnel depois de cinco anos de resultados ruins e os fãs da Aston Martin incrédulos com a má qualidade do carro projetado por Adrian Newey em um motor Honda.
Estou falando isso por causa da telemática.
Ou seria a telemetria?
Muitos confundem a telemetria dos carros da F1 com a telemática dos carros de rua, inclusive eu, que achava que a telemetria está nos carros de rua e veio da F1. Não é verdade. Outras vantagens vieram dos automotores para os carros de passeio, como o freio ABS. Mas a telemetria não é uma delas.
Histórico
Entenda, a telemetria que surgiu na revolução industrial (século XVII) com o inventor James Watts colocando sensores para monitorar manômetro de mercúrio e regulador de esfera em curta distância. E isso vem avançado desde então mais na indústria, a ponto de ter a transmissão de dados via sistemas sem fio (rádio, ultrassom, infravermelho), como em carros da F1 e equipamentos pesados de mineração, agricultura, logística, óleo e gás.
Já a telemática começou nos anos 1970 como uma primeira aplicação encomendada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos para ser usada com a primeira versão do GPS (satélite Navstar 1), o rastreio de uma localização com precisão. Avançou na década de 1980 em uma combinação da telecomunicação com sistemas de informática (telecom + informática = telemática) para o B2B. E chegou ao consumidor comum na década de 1990 com uma das primeiras grandes aplicações baseadas nas redes móveis celulares.
Ou seja, telemetria e telemática são diferentes e não são sinônimos. Não significa que uma é pior que a outra. Apenas são conceituadas, usadas e aplicadas de formas diferentes.
Enquanto a telemetria entrega o dado puro e bruto para um engenheiro na F1, como o ‘pneu de seu carro estão com 70ºC’ e chama o piloto para trocá-los nos boxes, a telemática usa informática e redes de telecomunicações para transmitir dados com contexto ao usuário comum, vide ‘aparentemente seu carro capotou, você precisa de ajuda?’.
Telemática na prática
O melhor exemplo de telemática comercial é o OnStar da GM. Lançado na Feira do Automóvel de Chicago em 1996, este foi o primeiro serviço celular da montadora. Na época baseado em CDMA com Verizon e depois Bell com telemática, ligação do carro e localização acompanhada via GPS.
Desde então, o OnStar tem evoluído como serviço:
- Chegou a 2 milhões de clientes no final de 2002;
- Lançou serviço de combate a roubo e furto de carros em 2008;
- O alerta de emergência para acidentados foi apresentado em 2011;
Em 2015 chegou ao Brasil. Dez anos depois acumula 1 milhão de carros conectados na América do Sul.
Em paralelo a isso, o serviço está acompanhando a evolução das telecomunicações, como:
- Do uso do CDMA, GSM, LTE e agora 5G;
- App próprio lançado em 2020, Guardian (Android, iOS);
- O carro como hotspot Wi-Fi via rede móvel para até sete dispositivos.
Nos Estados Unidos, a sua oferta já possui até um serviço para carro com direção autônoma, o Super Cruise. A partir de US$ 40 mensais, o motorista não precisa comprar um Tesla para ter direção assistida com softwares e algoritmos em mais de 600 mil milhas de estradas compatíveis e benefícios, como mudança de faixa e ultrapassar carros mais lentos em uma rodovia automaticamente.
Próximas etapas
De acordo com o relatório financeiro da GM sobre o final de 2025, o OnStar colaborou com US$ 5,4 bilhões da receita da montadora, um aumento de 65% contra US$ 3,3 bilhões de um ano antes. Desse total, o Super Cruise colaborou com US$ 234 milhões e uma base de 620 mil clientes, dentro dos 12 milhões de usuários globais OnStar.
Até o final de 2026, a montadora estima que o seu sistema de telemática:
- Chegará aos 13 milhões de clientes globais;
- Alcançará uma receita de US$ 7,5 bilhões com US$ 400 milhões vindos do Super Cruise.
Não só isso, a companhia espera avançar tecnologicamente com:
- O lançamento da SUV Cadillac Escalade IQ que terá radar, câmera e sensor LiDAR incorporados ao design do veículo para entregar confiança e segurança em um carro autônomo;
- O uso do Google Gemini para rascunhar e enviar mensagens, assim como gerar planos de rotas com conectividade dentro dos carros;
Especificamente para o OnStar, a GM prevê lançar sua inteligência contextual proprietária com fine-tuning para dar insights sobre veículos e seus clientes, bem como pretendem lançar a Inteligência de Segurança do OnStar.
Imagem principal: Ilustração produzida por Mobile Time com IA

