Marian Rogers Croak, este é o nome da mente por trás do Voice over Internet Protocol (VoIP). Nascida nos Estados Unidos, em 1955, a engenheira e inventora passou mais de trinta anos de sua vida dedicando-se à AT&T e a seu laboratório de pesquisa (Bell Labs). A criação é sem dúvida uma de suas maiores contribuições para a telecomunicação, já que permitiu converter ondas de voz em sinal digital.

Portanto, se hoje eu ou você conseguimos fazer chamadas online por WhatsApp, Microsoft Teams, Google Meet e entre outros, é graças à tecnologia de Croak. Atualmente vice-presidente da área de Responsible AI e Human-Centered Technologies do Google, a engenheira ocupa os halls da fama do National Inventors e do Women in Technology International, e é membro da Academia Nacional de Engenharia dos Estados Unidos.

Nada disso é fruto do acaso. Desde criança, Croak mostrava grande curiosidade sobre como os objetos funcionam. Nas visitas de eletricistas, encanadores e outros técnicos à sua casa, ela adorava acompanhá-los, questionando sobre como estavam resolvendo o problema. O apoio dos pais também foi fundamental para ela que, após anos se dedicando aos estudos em ciências na escola, ingressou na Universidade de Princeton e se formou em Engenharia.

Na sequência, a inventora cursou o doutorado de psicologia e análise quantitativa na Universidade do Sul da Califórnia. Ali, em 1982, durante uma feira de empregos, ela conseguiu uma vaga para trabalhar na AT&T, na divisão de Fatores Humanos, área dedicada à pesquisa para auxiliar pessoas na interação com a tecnologia e que não durou muito tempo.

Mudança que trouxe o VoIP

Com o fim da divisão, Croak foi realocada, passando a trabalhar com engenharia de redes, onde ela começou a refletir sobre o potencial que a internet teria dentro da telecomunicação digital. Segundo a inventora, o insight aconteceu ainda antes da criação do navegador web.

“Por isso, tivemos que testar com a divisão de voz em pacotes e tratá-la como se fossem dados, executando-a em uma conexão IP. O que deu certo”, afirmou em entrevista à sua ex-universidade. Para deixar ainda mais desafiadora a situação, o VoIP vivia um momento de ceticismo dentro da companhia, mas isso não foi impeditivo para Croak que, depois de muita insistência, recebeu autorização para começar o desenvolvimento de sua ideia. E isso ainda nos anos 1980,

“Conseguimos fazer com que fosse relativamente fácil adaptar o protocolo da internet para transportar tráfego de voz de forma confiável e em grande escala”, relembrou ela na mesma entrevista. O fato foi um divisor de águas na AT&T e os céticos passaram a acreditar na invenção. Como legado, a inovação reduziu os custos de comunicação, expandiu os serviços over-the-top (OTT), permitiu a criação de SMS para doações, por exemplo, além de abrir caminho para novas tecnologias de comunicação unificada e VoIP.

Ainda na companhia, a engenheira seguiu criando soluções relacionadas ao VoIP, como o monitoramento ponta a ponta, o tratamento de jitter e latência, mecanismos de detecção e recuperação de perda de dados, entre outros. Antes de deixar a Nokia, em 2014, Croak ocupou o cargo de vice-presidente sênior de infraestrutura de aplicativos e serviços, em que era responsável por mais de 2 mil cientistas de computação e engenheiros, gerenciando cerca de 500 programas.

Outras empreitadas

Na tragédia do furacão Katrina, que atingiu a costa de Mississippi, em 2005, a engenheira criou um sistema de doações via SMS para ajudar as vítimas, chamado de Text-to-donate. A iniciativa conseguiu arrecadar US$ 130 mil (R$ 691,6 mil). Cinco anos depois, no terremoto que atingiu o Haiti, o sistema novamente entrou em ação e levantou um montante de US$ 43 milhões (R$ 228,76 milhões).

Após 32 anos, na atual Nokia Bells Labs, Croak assumiu o comando da equipe de confiabilidade do Google, em 2014. Ali, seu lado humano seguiu forte. Ela trabalhou no Projeto Loon, que consistia na criação de uma rede de balões capaz de operar em altitudes consideráveis e promover o acesso à internet em áreas atingidas por desastres ou onde o sinal de internet é indisponível.

Em entrevista ao National Inventors Hall of Fame, a inventora defendeu que a ciência jamais deve se separar do aspecto humano. “As pessoas descobrem coisas, elas contribuem e fazem a ciência. Quero ver as coisas melhorarem durante a minha vida, e felizmente já vi isso acontecer, mas quero que continuem nessa direção”, declarou.

Em 2021, Croak passou a comandar a área de Responsible AI e Human-Centered Technologies da big tech. A promoção foi polêmica, mas nada disso teve a ver com ela. A chegada da inventora ao cargo aconteceu semanas após funcionários do Google se revoltarem contra a demissão de Timnit Gebru, então co-líder de IA ética. O episódio teria ocorrido, após Gebru contestar ordens da companhia.

Imagem: Marian Croak (Divulgação/Google).

 

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