Fotos: Divulgação/MS

Caminhões usados no transporte de 5 mil testes do coronavírus no último dia 30 de março em Guarulhos, SP

As plataformas de frete, logística e rastreamento rodoviário relataram quedas em suas atividades durante a crise do coronavírus no Brasil. De acordo com Cargo X (Android), Getrak e TruckPad (Android), as operações e rodagens estão em recuo no País, um problema criado principalmente por empresas e comércios terem fechado suas portas, algo que pode trazer um cenário de desabastecimento se os motoristas pararem de fazer suas entregas.

TruckPad

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Carlos Mira, CEO e fundador do TruckPad

“Apuramos uma queda de cerca de 25% no volume de cargas, em relação à operação normal das transportadoras. O fechamento do comércio e das empresas foi o responsável por essa queda no volume de transporte, certamente”, disse Carlos Mira, CEO e fundador do TruckPad. “O nosso levantamento ainda registra que o movimento das cargas chamadas ‘last mile’ (entregas de última milha, no original em inglês) tiveram uma queda de quase 30%.  Estão são as entregas realizadas em estabelecimentos comerciais como lojas de ruas e de shopping centers – além de supermercados etc.”

Mira também informa um recuo de 20% nas entregas de ‘full truck load’, aquelas que tomam todo o espaço de uma carreta e têm como principais clientes o agronegócio, a indústria e o comércio. A análise do TruckPad foi feita com aproximadamente 10 mil contratantes de fretes (indústria, comércio, atacadistas e transportadoras) que utilizam a plataforma TruckPad para localizar e contratar caminhoneiros autônomos para realizarem o transporte de suas mercadorias.

Getrak

Frederico Menegatti CEO Getrak com o dispositivo Sigfox

Frederico Menegatti, CEO da Getrak, com o dispositivo GetrakFox em sua mão em março de 2019

Na empresa de rastreamento e telemetria de veículos, a análise com base em seus 600 mil veículos conectados confirma a queda de movimentação nas estradas, mas é menor em relação à primeira semana do isolamento social. Durante 16 a 22 de março, o movimento nas rodovias estava 37% abaixo da média habitual de rodagem em uma semana de março, mas caiu para 22% abaixo da média na semana dos dias 23 a 29 de março.

Sobre a circulação dos veículos dentro das cidades em dias de semana, houve uma queda de 52% entre 16 e 22 de março. Na semana seguinte, o recuo foi para 21% ante a média de rodagem. Mas as movimentações aos fins de semana tiveram maior queda nas duas semanas avaliadas, 68% e 51%, respectivamente.

Cargo X

Federico Vega

Federico Vega, CEO da Cargo X

A companhia de fretes informou que registrou uma queda de 7,5% no movimento das transportadores entre 21 de fevereiro e 21 de março deste ano, na comparação mês a mês. De acordo com Federico Vega, CEO da Cargo X, a redução aproximada foi de 870 viagens no mês de março, ante o mês anterior, algo que representa 400 mil km em rodagem. O executivo ressaltou que os dados mostram um sério “agravante”, uma vez que fevereiro tem menos dias úteis do que março.

“Tivemos queda de 5% no volume total de cargas, quando comparamos as duas últimas semanas de março com as duas primeiras, e 16% do volume total de março em comparação com o fechamento de fevereiro. O segmento que apresentou a maior queda foi o agronegócio com -38% na comparação março e -41% versus fevereiro”, afirmou Vega. “No entanto, o setor alimentício e de higiene apresentou crescimento de 15% na comparação ano a ano e 8% em relação a fevereiro”.

Caminhoneiros

Mas a maior preocupação dos executivos de Cargo X e TruckPad são os caminhoneiros. Ao Mobile Time, o gestor da CargoX explicou que a falta de alimentação e insumos básicos para os motoristas nas estradas pode causar desabastecimento ao País, uma vez que 75% do transporte de produtos é feito por rodovias. E Vega lembra o cenário pode agravar mais, uma vez que o movimento nos supermercados está aquecido, pois aumentou 48,5% entre 20 de fevereiro e 19 de março, segundo a Associação Paulista de Supermercados (APAS).

“Realizamos algumas conversas com redes parceiras, porém as decisões e indecisões de cunho estadual e municipal tornam as conversas incertas”, disse o CEO da Cargo X. “Como ação, disponibilizaremos em nosso app uma lista de postos, pontos de descanso e restaurantes operantes para nossos caminhoneiros”.

Por sua vez, o CEO e fundador da TruckPad revelou que mesmo diante das circunstâncias da Covid-19 e do isolamento social, os caminhoneiros “seguem se mostrando à disposição para trabalhar, até por terem jornadas onde estão isolados em seus caminhões”. Como auxílio, a empresa busca orientá-los para que se previnam e evitem contato na carga e descarga.

Governo

Ministério da Infraestrutura também tem apoiado a classe de condutores por meio do app InfraBr (Android, iOS). Com apoio do Serpro, o app – que disponibiliza cálculo de frete e linhas de crédito – passa a ter informações sobre locais nas estradas com serviços essenciais, como restaurantes, postos de combustíveis, borracharias, oficinas, lojas de autopeças e postos de atendimento do Sest/Senat com kits de higiene e alimentação. O governo de São Paulo está apoiando as concessionárias de suas 19 principais rodovias na distribuição de 140 mil kits de alimentação. E um projeto de lei (PL 1.280/2020) do senador Angelo Coronel (PSD-BA) pretende isentar de pedágio os caminhoneiros autônomos.

Solidariedade

Além dos apoios do governo e dos apps de frete, outras empresas começam a apoiar os caminhoneiros nas estradas: McDonalds passou a oferecer lanches gratuitamente; a concessionária CCR Via Oeste e Rodoanel kits de higiene e alimentação; e outra concessionária, o Grupo Ecorodovias oferece kits com máscara, álcool em gel e postos de atendimento para medir temperatura ao longo do trajeto de suas estradas.