O Mercado Pago (Android, iOS) passará a oferecer um mecanismo extra de segurança para seus usuários quando estiverem fora de casa. Ao configurar o Modo Blindado, o cliente poderá definir seus locais de conexão segura, ativar automaticamente o mecanismo, ocultar todos os valores de suas finanças — como cofrinhos e investimentos —, além de estabelecer limite de valores para transferências feita por Pix, TED e criptomoedas. O teto só pode ser alterado após 8 horas.
Além do Modo Blindado, a empresa anunciou um novo seguro, que cobre despesas fixas. A ideia é que quando o cliente estiver passando por algum período com dificuldades financeiras algumas contas sejam cobertas pelo Mercado Pago, como luz e água, por exemplo. A cobertura ainda pode ser expandida conforme o volume de contas pagas pelo usuário na instituição. O usuário que tiver interesse poderá contratar o serviço por R$ 4,99 ao mês. As novidades foram anunciadas em evento realizado nesta quinta-feira, 5, em São Paulo.
Evolução
Ao longo de dez anos, o Mercado Pago vem mostrando resultados cada vez mais sólidos. Se no início a carteira de crédito chegava próximo a zero, agora, passa dos US$ 11 bilhões (R$ 57,8 bilhões), segundo dados do terceiro trimestre de 2025. Não à toa, no Grupo Mercado Livre, a fintech representa 45% da receita, somando 72 milhões de clientes ativos na América Latina, o dobro de dois anos atrás. “O crescimento tem sido forte e relevante, não apenas no aspecto de número de usuários, mas também no financeiro”, observou André Alves, vice-presidente sênior do Mercado Pago Brasil.
Com a ampliação do número de clientes, o fluxo de investimentos dentro do aplicativo cresceu cerca de 500%, enquanto o de cartões de crédito é cinco vezes maior comparado ao de 2023. Segundo Alves, a instituição é a que tem o maior crescimento em número de cartões do país.
Atualmente, além do Brasil, a empresa opera em outros seis países da América Latina: Argentina, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Venezuela. Mas somente em território argentino e mexicano tem autorização para funcionar como banco. Questionado se há a possibilidade de o Mercado Pago buscar o aval do Banco Central (BC), o executivo afirmou que é uma possibilidade no radar. “Como as licenças na Argentina e no México são recentes, queremos terminar estes projeto e depois avaliar se faz sentido esse movimento no Brasil”, explicou.
Marketing agressivo
Após dobrar o número de clientes, a instituição resolveu adotar a ideia e lançou a campanha de marketing “Tudo em dobro”, que ao longo de cem dias oferece cashback duas vezes maior aos clientes Mercado Pago. A iniciativa envolve uma série de patrocínios, como o do reality show Big Brother Brasil e do programa Caldeirão do Mion, ambos da Rede Globo. Além disso, a empresa estará presente em diferentes eventos neste ano, como os carnavais de Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, a sequência de shows da cantora Anitta, durante a folia, chamados de Ensaios da Anitta, e o Campeonato Brasileiro. O movimento faz parte do aumento de 118% em patrocínios, em relação ao último ano.
As ações, em parte, vêm atraindo público. Segundo a vice-presidente de marketing do Mercado Pago América Latina, Pethra Ferraz, do início do ano para cá o número de downloads do aplicativo subiu 14%.
Sentimento de insegurança
Durante a apresentação desta quinta, a empresa mostrou uma pesquisa realizada com 12 mil clientes a respeito da sensação de segurança em grandes eventos, quando levam o celular. A maioria (82%) afirmou que o sentimento é de insegurança, apesar de isso não reduzir o uso de aplicativos voltados a finanças, já que 68% disseram que não deixam de usá-los.
Porém, isso não significa que não há nenhum cuidado, pois 93% responderam que adotam alguma medida de segurança: a maior parte prefere não efetuar pagamentos ou transferências na rua (26%); 20% verificam os dados de pagamento ao menos uma vez antes de concretizá-lo, o mesmo percentual daqueles que utilizam dinheiro em espécie; outros 16% preferem pagar com carteiras digitais ou via NFC; 10% revisam os limites de Pix e outras transferências; 1% utiliza pulseiras ou algum outro meio de pagamento sem contato. Já 4% dizem sentir segurança e não tomam nenhum tipo de cuidado e 3% dizem que não adotam medidas porque não sabem como fazê-lo.
O levantamento, realizado entre 20 e 23 de janeiro deste ano, também identificou tendências para o Carnaval. Em torno de 27% dos respondentes afirmaram que preferem pagar na folia via Pix ou QR Code, enquanto 26% usarão o NFC no celular, aproximação com cartão (17%), cartão com senha (16%) e dinheiro (14%). Sobre gastos durante os blocos e festas, 40% disseram que devem desembolsar entre R$ 100 e R$ 500; 26%, entre R$ 500 e R$ 1 mil; 13%, acima de R$ 1 mil; 10%, até R$ 100. Já os que não pretendem gastar e os que vão gastar bem — mais de R$ 5 mil — foram 5% cada.
Imagem: (da esquerda para a direita) Olívia Nercessian, head de PR do Mercado Pago Brasil, Pethra Ferraz, vice-presidente de marketing do Mercado Pago América Latina, Ignácio Estivariz, vice-presidente do Mercado Pago Brasil e André Alves, vice-presidente sênior do Mercado Pago Brasil. Foto: Karina Merli/Mobile Time.


