A migração das operadoras de telefonia do modelo de um fornecedor de estrutura de conectividade (dummy pipe) para oferecer serviços avançados em nuvem e inteligência artificial, as coloca em uma posição de destaque para serem as provedoras da IA soberana para governos e empresas. É o que acredita Alex Colcher, vice-presidente sênior de telco da Oracle na América Latina.

Em conversa recente com Mobile Time, o executivo explicou que essa visão é mais forte na região latino-americana por essas companhias terem vantagens estruturais e de mercado consolidadas, como:

  • Forte relacionamento com governos locais;
  • Estrutura sólida de venda B2B;
  • Visão de segurança entremeadas com resiliência em serviços que ofertam atualmente.

Com isso, Colcher afirmou que as operadoras estão em uma posição mais favorável para atender setores críticos, como governo, saúde, finanças, energia, pesquisa e academia, que demandam proteção rigorosa de dados e conformidade com regulações.

Papel das operadoras na IA

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Rodrigo Marques, CEO da Claro, e Raj Mirpuri, VP, Enterprise e Cloud Sales Oracle, selam a parceria em São Paulo (divulgação)

Neste cenário, o executivo afirmou que as telcos precisam investir significativamente e quem que não o fizer ficará para trás. Também defende que as operadoras façam parcerias estratégicas voltadas à IA, como o acordo recente da Claro para se tornar NVIDIA Cloud Partner (NCP) para criar casos de uso e grandes modelos de linguagem (LLM) voltados ao mercado em parceria com Oracle e NVIDIA.

No NCP, a Claro tem uma certificação que garante que segue os padrões técnicos e operacionais da NVIDIA para desenvolver modelos de IA soberanos. Ao mesmo tempo, a operadora usa o Stack de tecnologia da Oracle para garantir escalabilidade, performance, governanças e compliance no uso da IA para o ambiente corporativo. A partir desse arcabouço, a operadora fará o uso dessa estrutura para desenvolver suas próprias aplicações de IA para depois colocá-las em prateleira para o mercado.

Colcher prevê que este é o cenário ideal para as operadoras terem retorno do investimento em IA soberana: “O nosso ponto de vista é que: as telcos que estão enxergando IA como um grande potencial de geração de receita são aquelas que estão acelerando mais, pois sempre é mais fácil investir em aceleração de receita e a redução de custo é uma consequência desse investimento”, disse.

“Mas não estão todas vendo dessa forma, ainda. Estamos observando pilotos e aplicações com foco em redução de custo. Mas quando você enxerga que o B2B das telcos vai se diferenciar no mercado com oferta de soluções de IA, são essas que descolam do dia a dia tradicional ente as empresas de telecomunicações”, completou.

Entre cases internos que as operadoras podem fazer, o VP da Oracle citou atendimento, cobrança e automação de backoffice, assim como soluções de combate à fraude e de apoio ao field service: “Se fizerem isso com sucesso interno, uma operadora já pode encapsular como um produto e vender para os seus clientes B2B”, completou.

Papel da Oracle

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Estande da Oracle na MWC em Barcelona, Espanha (divulgação)

Colcher explicou que neste cenário com as operadoras deixando de ser uma provedora de infraestrutura básica para soluções em nuvem mais avançadas, a Oracle quer evoluir junto. Com isso, a companhia norte-americana deixa de ser um simples fornecedor de tecnologia para ser uma parceira estratégia de negócios que ajuda na redução de custo e aumento de receita.

Isso passa por pilares, como:

  • Fornecer produtos e serviços white label para serem customizados e usados pelas telcos;
  • Oferecer de uma estrutura única de nuvem fim a fim com a Oracle Cloud Infraestrutura (OCI) com GPU, CPU, storage e banco de dados;
  • Permitir a construção de aplicações e soluções apoiadas em um marketplace verticalizado;
  • Suporte e troca de informações em nível global, ou seja, uma operadora brasileira pode acessar as mesmas bibliotecas e arquiteturas que a OpenAI e TikTok usam.

Mas Colcher afirmou que a “galinha dos ovos de ouro” da Oracle para este cenário é a combinação de seu papel histórico em banco de dados combinada com a arquitetura única de nuvem em IA, algo que permite escalar o uso dessa tecnologia com segurança.

Imagem principal: Ilustração produzida por Mobile Time com IA.

 

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