O 5G será a espinha dorsal da Rede Nacional Agora Tem Especialistas de Hospitais e Serviços Inteligentes de medicina de alta precisão do SUS, afirmou a professora titular de emergências clínicas da faculdade de medicina da USP, Ludmilla Hajjar. A especialista participou da apresentação do projeto no Palácio do Planalto, que aconteceu nesta quarta-feira, 7. O projeto, também conhecido como SUS Inteligente, consiste inicialmente na construção do primeiro hospital inteligente em São Paulo, além da instalação de 14 UTIs inteligentes em 13 estados e a modernização de cinco hospitais públicos de referência no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Batizado como Instituto Tecnológico de Emergência (ITMI) do Hospital das Clínicas de São Paulo, o hospital inteligente vai funcionar como o “cérebro digital” do projeto da rede inteligente do SUS, pois será integrado ao sistema de telemedicina, imagem digital e nuvem, além de contar com governança da inteligência artificial e estará conectado a uma base de integração nacional e internacional.

Mas Hajjar reforçou que a “espinha dorsal” do projeto será o 5G, uma vez que a rede móvel permitirá o uso de uma série de outras tecnologias, como a inteligência artificial para tomada de decisões e predições mais rápida, conectar UTIs e leitos, mas também permitir que as ambulâncias do SAMU façam o acompanhamento do paciente ainda em trânsito.

“Imagina um paciente que está em uma periferia e tem um AVC. Por smartphone – algo muito simples, e nós vimos esse modelo lá na China –, ele aciona o SAMU. Imediatamente a ambulância que está perto da casa dele é chamada. Por radiofrequência, o veículo identifica onde é o primeiro hospital com leito de alta complexidade para aquele diagnóstico”, explicou Hajjar. “Por 5G, a ambulância conecta e integra o cuidado do paciente a esse hospital inteligente. Naquele momento, por exemplo, o sistema identifica um AVC e aciona o time de saúde, por exemplo, da trombectomia, e a ambulância já entra diretamente para o centro de AVC”, completou.

A professora explicou ainda que, atualmente, o sistema para detectar o estado de saúde de um paciente em emergências é anárquico, uma vez que é preciso fazer uma ligação por voz para preencher uma ficha.

Hospital inteligente com 5G e IA

5G; SUS

Presidente Lula durante a apresentação do projeto e assinatura do acordo (crédito: Walterson Rosa/MS)

Com apoio do governo do estado de São Paulo, o ITMI ficará na atual sede da Secretaria Estadual da Saúde paulista, um prédio que será implodido para iniciar a construção do centro de saúde em breve. Com expectativa de ser implementado em até quatro anos, o hospital inteligente no HC buscará a redução do tempo de resposta em casos críticos de emergência, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e traumas.

De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os hospitais inteligentes têm como conceito utilizar a mais alta tecnologia da informação, inteligência artificial e conexão dos seus equipamentos: “Utilizando uma rede que se sustenta e que consegue garantir essa conexão, isso vai permitir fazer atendimentos à distância, monitoramento à distância e usar a IA para acelerar os diagnósticos”, disse.

Padilha prevê que a partir da implementação do hospital inteligente em São Paulo, e de seu arcabouço tecnológico, a expectativa é reduzir em cinco vezes o tempo de espera por atendimento especializado em situações de urgência e emergência, ou seja, de 17 horas para 2 horas.

Ao todo, o ITMI terá 250 leitos de emergência, 200 leitos de enfermaria, 350 leitos de UTI, 25 salas de cirurgia e capacidade para atender 200 mil pacientes e fazer 27 mil cirurgias por ano. O espaço também terá um Centro Nacional para Pesquisa Translacional e Inovação para desenvolver medicina de precisão, ciência de dados, algoritmos clínicos e validar dispositivos médicos.

Investimentos

Por sua vez, o projeto da Rede Nacional Agora Tem Especialistas de Hospitais e Serviços Inteligentes de medicina de alta precisão, que engloba as UTIs inteligentes e a modernização de hospitais de referência, receberá um investimento de R$ 4,8 bilhões.

Desse montante, R$ 1,9 bilhão será destinado para a construção do ITMI, que terá R$ 1,7 bilhão em empréstimo com o Novo Banco de Desenvolvimento dos Brics (NDB), R$ 110 milhões do governo federal e R$ 55 milhões do governo do estado de SP.

Por fazer parte de um investimento do banco dos Brics, o ITMI terá ainda a troca de conhecimento e de tecnologia com hospitais e instituições da Índia e da China.

Imagem principal: Ludmilla Hajjar, professora titular de emergências clínicas da faculdade de medicina da USP (reprodução: YouTube/Canal Gov)

 

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