A Mediatek pretende trazer para Brasil no segundo trimestre deste ano o chipset MT6825, que permite a comunicação direta entre um dispositivo móvel e satélites, viabilizando chamadas de emergência e envio de mensagens de texto quando o usuário estiver em áreas remotas, onde não há cobertura das operadoras celulares. A convergência entre as redes móveis e constelações satelitais foi uma das principais tendências do Mobile World Congress deste ano.

A Mediatek tem parceria com a Bullitt para a comunicação satelital através desse chipset. A oferta do serviço de comunicação direta entre celular e satélites para o consumidor, contudo, depende de acordos com operadoras móveis em cada país.

No MWC23, a Mediatek apresentou dois produtos que já contam com o novo chipset: um smartphone customizado para uso da Catterpillar, e um pequeno dispositivo portátil da Motorola que se conecta por Bluetooth com qualquer smartphone para fazer a ponte com o satélite.

Produção nacional de chipsets

Na avaliação do diretor de negócios para a América Latina da Mediatek, Samir Vani, o desejo do governo federal de fomentar a fabricação nacional de semicondutores esbarra na deficiência do País em mão de obra especializada para esse tipo de produção.

“Hoje o País não conta com profissionais para cuidar disso. É um trabalho extremamente especializado”, alertou o executivo, em conversa com Mobile Time durante o Mobile World Congress, em Barcelona, na semana passada.

Além disso, uma fábrica de semicondutores requer todo um ecossistema de fornecedores ao seu redor, o que o Brasil tampouco dispõe no momento, enfatizou. Em vez de começar pela fabricação do wafer, que é o coração do chipset, o melhor seria apostar primeiramente em etapas periféricas desse processo, como o empacotamento do chipset ou a sua testagem. “Os semicondutores poderiam vir já prontos para o Brasil e testados aqui, por exemplo”, sugeriu o diretor da Mediatek.