O agronegócio começa a avançar no uso e no tratamento de dados aos poucos, mas ainda enfrenta muitos. Em conversa com Mobile Time nesta semana, Rosiéli Mika Bonette, especialista de marketing de produto da PTx Trimble na América Latina, explica que o setor reúne perfis diversos quando o assunto é maturidade digital.

Há desde produtores que não fazem o gerenciamento básico dos dados gerados pelas máquinas – como os direcionamentos de rotas A/B, como é chamado no mercado agro –, até os mais avançados, que concentram dados de produtividade e aplicação na nuvem para análises mais sofisticadas.

Entre os que estão na frente e são considerados como os “pioneiros”, Bonette destaca as grandes fazendas de cana-de-açúcar e usinas sucroalcooleiras, que vem em um movimento de ampliação de investimentos em conectividade e serviços em nuvem. Na sequência estão os produtores de grãos, com um nível semelhante às usinas de açúcar, mas um pouco mais atrás em adoção tecnológica e maturidade.

Mas a maioria do campo, ou seja, os pequenos e médios, ainda está nos estágios iniciais da digitalização.

“Sabemos a importância do dado para o campo. Alguns clientes já usam para tomada de decisão e melhorar a produtividade no campo”, conta a executiva. “Com o aumento dos custos, cresce também a necessidade de dados mais detalhados. Existem clientes que operam na linha A/B, outros já usam mapas de precisão e os mais avançados são aqueles que são capazes de extrair insights estratégicos para a tomada de decisão”, diz.

Estratégia e desafios do campo em dados

Imagem FarmENGAGE

Ecossistema do FarmEngage (divulgação)

Para lidar com esses desafios, a especialista da PTx Trimble afirmou que pretendem atuar com todas as camadas de clientes. Em especial com desafios mais comuns ao produtor rural brasileiro, como:

  • A consolidação e compatibilização de dados em frotas mistas, uma vez que é muito comum o uso de máquinas rurais de mais um fabricante em uma fazenda;
  • O controle real de tráfego para que o campo faça com precisão as tarefas definidas pelo escritório da fazenda;
  • Registrar os desvios que mudam os tráfegos, como deslizamentos ou erros de sinais de GPS para trazer a rota em futuros direcionamentos;
  • Mostrar que o dado pode ser usado para a tomada de decisão com análises detalhadas em mapas de aplicação para práticas de manejo em culturas (soja, sorgo, milho, por exemplo) e otimização de insumos (defensivos agrícolas ou não plantar em dia de chuva) para aumentar a produtividade e a rentabilidade.

Soluções da PTx Trimble

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Tela mobile do Panorama (divulgação)

Como parte dessa estratégia, a empresa de tecnologia voltada para a agricultura de precisão está trazendo para o mercado brasileiro o PTx FarmEngage (Android, iOS), uma plataforma de gerenciamento de operações agrícolas. Seu principal diferencial é a interoperabilidade que se conecta com sistemas de competidores, como Deere Operations Center, Raven Slingshot e Case IH FieldOps.

A PTx é uma empresa controlada pelo AGCO, um dos principais players do mercado de máquinas agrícolas e agricultura de precisão que possui marcas como Fendt, Massey Ferguson e Valtra. Com o FarmEngage, o produtor rural que possui essa interoperabilidade pode receber dados de máquinas de outras marcas ou seja, que não são da AGCO.

Com o software, o gestor acompanha em tempo real a posição e as tarefas da sua frota de máquinas no campo, vê relatórios automatizados, faz o roteamento inteligente de dados e permite o retrofit, ou seja, atualizar máquinas mais antigas para colher dados sem necessidade de trocar a frota.

Com o app para dispositivos móveis e versão web para computadores, o FarmEngage está voltado para o uso de tarefas do dia a dia, e a versão web para decisões mais estratégicas no escritório, explica Bonetti.

Outra novidade que a companhia está trazendo para o mercado brasileiro é o Panorama (Android, iOS), uma plataforma de dados na nuvem que traz para o operador de máquina informações e dados em tempo real, assim como conectividade.

De acordo com Douglas Melo, especialista de suporte ao produto PTx, a verificação das imagens de mapas e diagnóstico de uma máquina agrícola é feita por meio do monitor 20/20. Usando conectividade Wi-Fi da fazenda, o trator de um operador pode se conectar com outro e compartilhar informações em tempo real.

Além disso, o gestor pode acompanhar os dados pelo app. A nuvem utilizada é da AWS.

Imagem principal: Rosiéli Mika Bonette, especialista de marketing de produto da PTx Trimble na América Latina (divulgação)

*O jornalista viajou para Campinas/SP a convite da empresa

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA