Nos últimos anos, o Brasil tem presenciado a popularização das maquininhas de cartão, também conhecidas como máquinas de mPOS. Elas vêm democratizando o recebimento de pagamentos com cartão de crédito, pois em geral não cobram aluguel e se comunicam com as redes de adquirência através do smartphone do usuário. PagSeguro, iZettle, SumUp e MercadPago são algumas das empresas que atuam nesse mercado no Brasil. Suas máquinas tornaram possível que muitos profissionais liberais e pequenos comerciantes passassem a receber pagamentos com cartão de crédito e de débito, incluindo aqueles desbancarizados, graças à associação do serviço a contas virtuais, acessadas por cartões pré-pagos. Porém, para uma parte do público, o preço dessas maquininhas ou o processo de cadastramento e recebimento do produto ainda podem ser obstáculos para a adoção. Pensando nisso, uma startup mineira criou o Pagatela (Android, iOS), um app que dispensa as maquininhas, pois transforma o smartphone em si na própria máquina de mPOS.

“Percebemos que ter uma maquininha é um transtorno em alguns casos. Para muita gente seria melhor ter tudo no celular, por ser um hardware mais familiar: você sabe quanto tempo a bateria vai durar, se pega Wi-Fi, se pega o 3G etc”,  argumenta Thiago Haddad, fundador da Pagatela.

Para começar a receber pagamentos com cartão no Pagatela, basta instalar o app e preencher um cadastro, que é feito em partes. Para conseguir abrir o app pela primeira vez, o comerciante precisa informar nome, CPF e email. Com esses dados, a empresa faz uma primeira verificação de segurança, checando com bases externas se aqueles dados conferem – ou seja, se o CPF é daquele pessoa mesmo, por exemplo. Após isso, já com o app aberto, o usuário pode passar pela segunda fase do cadastro, que consiste em informar seu telefone, endereço e ramo de atividade. Novamente, a empresa realiza algumas verificações e, se tudo estiver correto, a pessoa já pode começar a receber pagamentos por cartão pelo app.

A empresa lançou uma versão beta no fim do ano e passou alguns meses testando e verificando os riscos de fraude para desenhar todo o seu processo atual de cadastramento e de segurança. “Dividimos o cadastro de acordo com diferentes níveis de segurança. Nós temos que fazer um esforço grande de inteligência por trás para realizar uma transação direto do celular de forma segura. A proposta é facilitar para o usuário comum e dificultar para o fraudador”, descreve Haddad. Todos as compras são analisadas, verificando localização e outras informações. É feita uma análise de comportamento de uso, que é comparado com padrões típicos de fraudes. Se há alguma suspeita, a empresa demanda comprovantes.

O lançamento oficial aconteceu em março. O serviço já tem mais de 1,4 mil usuários, dos quais 400 entraram somente no mês passado. O executivo almeja chegar a 10 mil em março de 2019. “Temos entre os usuários muitos prestadores de serviço, como dentistas, psicólogos, personal trainers, mecânicos etc. O tíquete médio está em R$ 277”, relata.

Passo a passo

Para receber um pagamento, o usuário precisa digitar no app o valor do pagamento e o número de parcelas. Depois, escaneia o cartão do comprador com a câmera do seu celular, o que permite a captura dos dados básicos (nome da pessoa e número do cartão). Em seguida, é preciso digitar o CVV e a data de validade. Caso o comprador não se sinta à vontade de fornecer esses dados para o lojista/prestador do serviço, existe a opção de envio de um link de cobrança. O envio pode ser feito por qualquer canal, inclusive WhatsApp. Ao acessá-lo, o comprador abre uma página com seu navegador móvel, onde informa os dados do cartão em seu próprio celular para concluir o pagamento.

Os pagamentos feitos com o Pagatela são considerados remotos. Por isso, a taxa cobrada é um pouco mais alta que aquela das máquinas de POS. A Pagatela cobra 3,99% para venda à vista no crédito; 4,69%, de 2 a 6 vezes; e 7,99%, de 7 a 12 vezes. “A vantagem é que você não tem custo inicial e nem custo fixo mensal”, argumenta. A Pagatela está associada a um subadquirente, mas a ideia é que ela própria vire mais tarde uma subadquirente no futuro.

O próximo passo no roadmap do produto são a oferta de antecipação de recebíveis, o que só será permitido com a apresentação de comprovantes de alguns dados do cadastro. Depois, há planos de oferecer um cartão de débito pré-pago, para atrair clientes que não possuam conta bancária.

MobiShop

Haddad apresentará o case do Pagatela durante o MobiShop, seminário sobre comércio móvel e pagamentos móveis organizado por Mobile Time e que acontecerá no dia 10 de setembro, no WTC, em São Paulo. Também serão apresentados cases do Itaú, da Ingresso.com e da Cielo. E o evento contará ainda como palestreantes executivos da Visa, Samsung, PagSeguro, PayPal, Mercado Livre, iFood, Farmácias App, dentre outras empresas. Para mais informações e compra de ingressos, acesse o site www.mobishop.com.br, ou ligue para 11-3138-4619 ou escreva para eventos@mobiletime.com.br.