A recente compra da V8.Tech pela TIM tem como objetivo ser o casamento perfeito entre a estrutura de dados da operadora com a empresa de tecnologia. De acordo com Fabio Costa, vice-presidente de B2B da TIM, a combinação dos dois universos permitirá que a operadora ofereça serviços de dados, inteligência artificial e analytics aos seus clientes corporativos.

“Imagina que existe uma quantidade estratosférica de informações rodando na IoT da TIM, e agora (com a V8) temos a competência dentro de casa para fazer o uso desses dados. Podemos dar uma orientação dentro do B2B, não só a prestação de serviços de infraestrutura e de telecomunicações, mas também de dados e de AI baseado nessas informações”, disse em conversa com jornalistas.

“Prevejo aqui um movimento de B2B bastante significativo, não só a questão de telecomunicações e nem só na questão de prestar serviços tradicionais e não tradicionais. Mas prestar serviços mais sofisticados, como a V8 já presta”, completou.

Importante lembrar, a TIM tem atualmente em sua frente de dados ofertas para o B2B, como o TIM Ads e o Open Gateway, por exemplo. Na outra ponta, a operadora chegou ao primeiro bilhão de reais contratado no B2B com serviços de conectividade em agronegócio, cidades inteligentes, mineração e logística, uma série de frentes que geram dados.

“Se nós somos o maior provedor de IoT do Brasil hoje e temos bilhões de informações circulando na rede do meu time, como a V8 nos ajuda a extrair maior valor dessa rede e, principalmente, melhorar o atendimento ao cliente? É justamente tratando essa informação”, completou Costa.

De acordo com o VP da operadora, a V8.Tech utilizará a informação que está na rede e que o cliente não usa, trará para sua área de tecnologia e fará uma avaliação sobre a forma de usar dados e IA. A partir daí, a ideia é gerar painéis que ajudem o cliente a entender o seu negócio.

Uma segunda frente será a combinação de dados com inteligência artificial para dar eficiência operacional para as empresas. Mas, especificamente, a V8.Tech pode oferecer agentes de IA para melhoria processual em áreas como mineração, rodovias e agronegócio.

Vale lembrar que a empresa de tecnologia foi comprada pela TIM por R$ 140 milhões em novembro de 2025.

Estratégia móvel

O CEO da TIM também abordou a operação móvel. Griselli afirmou que o pós-pago segue como motor central da estratégia da operadora com a manutenção do churn em um nível saudável e a oferta de ‘mais por mais’ (ou seja, mais benefícios ao cliente por um preço maior).

O pré-pago, apesar representar uma parcela importante da receita da TIM, segue em um ritmo de queda. Para Griselli, o pré-pago seguirá encolhendo e servirá de porta de entrada para clientes do controle e pós-pago nas operadoras.

Com isso, a TIM pretende atuar no pré com a estratégia de estabilizar a base com ofertas mais segmentadas, melhor experiência e novas formas de pagamentos. De maneira a manter uma participação alta em ativações (gross net adds) para compensar a rotatividade natural do setor. Por sua vez, os planos controle são vistos como a ponte entre pré e pós-pago, mas trazem uma receita recorrente maior que o pré-pago.

Dentro dessa dinâmica, o executivo confirmou que a TIM manterá seus aumentos anuais. O pós-pago está com uma mudança em curso neste primeiro trimestre de 2026 para a base atual. O controle terá ajuste em junho para novos clientes.

Crise das memórias

TIM

Executivos da TIM da esquerda para direita: Vicente Ferreira, diretor de RI; Andrea Viegas, CFO, Alberto Griselli, CEO (reprodução: Zoom, TIM)

Os executivos da TIM também afirmaram que a atual crise da falta memórias que assola o mercado de tecnologia não impacta diretamente a TIM, seja nos custos e gestão de rede ou em dispositivos para o B2C. O que pode ocorrer, segundo Griselli, é o aumento de preço dos celulares. Mas como a operadora foca sua venda de handsets na gama mais alta, o uso de subsídios pode ser feito para abater o impacto.

Por sua vez, o VP do B2B da TIM afirmou que o mercado corporativo já sente o impacto no preço de desktops e notebooks. Mas isso não afeta tanto a empresa, pois é adjacente ao seu core business. Até o momento, Araújo também disse que não teve impacto no preço cobrado pelos hyperscalers usados pela TIM e pela V8.Tech, pois possuem capacidade para comprar insumos no mercado de semicondutores.

I-Systems, rede neutra e torres

A recompra do controle da I-Systems pela TIM no valor de R$ 950 milhões junto à IHS foi outra aquisição debatida na conferência nesta quarta-feira. O CEO da operadora, Alberto Griselli, afirmou que um dos motivos para a movimentação é que o modelo de rede neutra não vingou.

Na visão do executivo, a falha no modelo de rede neutra ocorreu pela falta de interesse por terceiros, o que não deu margem de crescimento à estratégia de escala e compartilhamento (múltiplos inquilinos em uma mesma rede). Como resultado, a I-Systems virou apenas um intermediário que gerava custos e complexidade.

Em contrapartida, a compra traz diversos benefícios para a TIM, como:

  • Melhor controle da experiência do cliente de fibra ótica;
  • Gestão do churn;
  • Tornar a operação que hoje tem 2% de market share no Brasil mais eficiente e rentável.

Embora a recompra da I-Systems dê mais robustez para a operadora vender o negócio de fibra ótica posteriormente, Griselli foi categórico e disse que não pretende vender ativos. Também afirmou que observa o mercado de empresas grandes e pequenas de fibra ótica, mas que não está interessado na aquisição minoritária, como poderia acontecer com a V.Tal por meio de leilão da Oi.

Torres na TIM

Na operação com parceiros de torres, a visão da TIM é diferente. A companhia vê um relativo sucesso em seu modelo de negócios. Tratado como um negócio diferente da fibra ótica, a relação com as torreiras é dividida em três ações:

  1. Renegociação de aluguéis de torres (leases, no original em inglês) com parceiros;
  2. Construção de torres para atender a expansão da rede móvel;
  3. Compartilhamento de rede;

Atualmente, a operadora está em um ritmo mais voltado à renegociação com parceiros. É o caso do recente acordo com a American Tower, mas Griselli revelou que há mais uma “grande negociação pendente” em andamento. O executivo não revelou o nome da torreira, mas afirmou que o objetivo é que seja um “ganha-ganha” para as duas partes, uma vez que a TIM busca renovação de contratos em longo prazo e valores de aluguéis mais justos.

Vale dizer, a IHS seguirá em parceria com a TIM, logo, a compra da I-Systems não afeta acordos pré-existentes.

Imagem principal: Ilustração produzida por Mobile Time com IA.

 

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