A Gove é uma empresa brasileira focada em transformar e melhorar a eficiência da gestão pública por meio da tecnologia, em especial a inteligência artificial. A plataforma utiliza o conceito de “governo zero clique”, cuja premissa é atender às necessidades dos cidadãos de forma proativa, sem que a pessoa precise solicitar serviços, preencher formulários externos ou navegar por sistemas complexos. E, para o servidor público, a Gove automatiza tarefas burocráticas – em especial para os municípios.
O produto nasce a partir da reunião de dados dos moradores do município. Cria-se um grande cadastro central, onde são consultadas as informações necessárias para ativar os serviço de forma proativa. Por exemplo, se a pessoa está prestes a completar 60 anos, a solução dispara uma nota informando que ela tem o direito à Carteira do Idoso e disponibiliza os meios para sua retirada. Por parte do servidor, agentes de IA ajudam na busca de dados do cidadão, leem documentos e itens do cadastro e executa algumas atividades (disparos).
A solução está presente em mais de 100 cidades, como São Manuel/SP, Cubatão/SP, Barbacena/MG, Divinópolis/MG, Queimados/RJ e Manaus. Juntas, elas somam mais de 16 milhões de brasileiros impactados pelos serviços da Gove.
A plataforma da empresa possui três camadas complementares de serviços:
- Cadastro central verificado – trata-se da base de dados fundamental onde o sistema registra e integra todas as informações referentes aos CPFs e CNPJs de um município.
- Camada de relacionamento com o cidadão – é responsável por toda a interação com os moradores. A empresa disponibiliza ferramentas de comunicação, como disparo de mensagens por meio de chatbots via WhatsApp, SMS, e e-mail.
- Camada de automação e inteligência artificial – atua como um “cérebro inteligente” que lê e monitora continuamente os dados do cadastro central para executar atividades e processos de forma automática.
A partir da união dessas três camadas de infraestrutura, a plataforma funciona de maneira agnóstica, o que significa que ela se adequa aos mais variados sistemas utilizados pelas prefeituras – legados ou não – e, ao mesmo tempo, os próprios municípios têm a liberdade de parametrizar o sistema e construir os casos de uso de acordo com as necessidades e campanhas locais.
Possíveis casos de uso da Gove
Como a plataforma é configurável pelas prefeituras, os principais casos de uso práticos para o cidadão incluem:
- Acesso proativo a benefícios (como a Carteira do Idoso): O sistema monitora a base de dados e identifica quando um cidadão está prestes a completar 60 anos. Ele envia uma mensagem informando sobre o direito ao benefício e, após uma simples confirmação do cidadão pelo WhatsApp, a própria plataforma valida os dados e emite o documento.
- Isenção de impostos (como o IPTU): O município pode configurar o sistema para cruzar dados e identificar pessoas em situação de vulnerabilidade (por exemplo, inscritos no CadÚnico) que possuem imóvel. O cidadão é, então, notificado sobre o seu direito à isenção do IPTU ou tem o processo executado de forma automática.
- Avisos preventivos de saúde pública: O cidadão pode receber lembretes de consultas médicas agendadas, mensagens de acompanhamento para garantir o cumprimento das etapas do pré-natal, avisos para a realização de exames preventivos (como mamografias ao atingir determinada idade) e convites para campanhas de vacinação.
- Alertas meteorológicos e de serviços urbanos: A tecnologia pode ser integrada a sistemas meteorológicos para disparar alertas via SMS sobre riscos de chuvas fortes e enchentes. Além disso, pode notificar os moradores de um bairro específico de que o fornecimento de água será interrompido.
- Facilitação no pagamento de tributos: Cidadãos com pendências financeiras podem ser contatados ativamente pela plataforma. Ao confirmarem a identidade por canais eletrônicos, eles recebem a guia para pagamento diretamente, facilitando a regularização sem que precisem se deslocar ou acessar portais complexos.
- Desburocratização: O sistema procura facilitar a interação do cidadão com o governo em marcos importantes, como a compra de um imóvel, um nascimento ou falecimento, garantindo que o poder público chegue até a pessoa com a solução necessária.
Modelo de negócio e expectativas
Para um município, estado ou o próprio governo federal a contratação da Gove, deve acontecer via Lei das Licitações, na categoria inexigibilidade, ou seja, a modalidade na qual somente a Gove, até o momento, fornece este serviço.
“Estamos presentes em 2% dos municípios. É pouco e a gente quer muito levar o nosso produto para mais gente porque acreditamos que temos condição para mais. O Brasil precisa disso. Queremos escalar a nossa atuação, mas sabemos que é um processo lento. Não é análogo ao setor privado, sabemos que vamos crescer devagar”, explica Rodolfo Fiori, CEO da empresa, em conversa com Mobile Time.
O executivo explica ainda que a plataforma pode ser utilizada em diferentes esferas públicas, como o Judiciário e o Legislativo, além do Executivo.
A meta para este ano é dobrar de tamanho. “Dobramos em 2025, queremos fazer o mesmo em 2026”, diz. No momento, a empresa também está focada em desenvolver habilidades dos seus agentes de IA. Os atuais fazem tipagem de documentos – ou seja, verificam se é CNH, RG, conta de energia etc., mas a ideia é poder ler outros documentos. “Quanto mais expandimos, mais casos de uso teremos”, justifica.
“A ideia é desenvolver diferentes competências para que o sistema público consiga usar esses agentes em mais serviços, como em código tributário, jurisprudência, entre outros casos”, resume.
Sobre o modelo de negócio, a Gove cobra um preço fixo por assinatura, mas o município pode contratar diferentes pacotes por preços variados. É possível, por exemplo, contratar 100 mil mensagens de SMS e, caso precise de mais, pode solicitar um aditivo.
“O setor público é um local muito propício para a IA acontecer”, resume Fiori.

