O compartilhamento da infraestrutura de redes neutras é visto como uma maneira de viabilizar a expansão e o adensamento do 5G nas grandes cidades. A opinião foi compartilhada por painelistas presentes no Fórum de Operadoras Inovadoras (FOI), realizado nesta segunda-feira, 13, em São Paulo. O modelo é considerado essencial para as operadoras conseguirem otimizar o serviço, com menor oneração, já que a distribuição de sinal é compartilhada com outras empresas do setor.
A solução pode beneficiar diversos usuários que sofrem com a falta de conexão em grandes eventos ou no transporte subterrâneo. Uma pesquisa da Ericsson, divulgada em janeiro deste ano, apontou que 60% dos entrevistados já tiveram problemas com a rede e 20% afirmaram que têm uma experiência insatisfatória.
A situação é ainda mais desafiadora quando se leva em consideração que a inteligência artificial também é utilizada nos smartphones, o que demanda uma capacidade maior de upload. De acordo com o levantamento, até 2030, o tráfego gerado por IA será duas vezes maior. “É preciso que a gente planeje a rede para atender as novas tecnologias, pois isso influenciará a experiência do usuário”, disse Flávia Bittencourt, diretora de customer solutions da Ericsson.
Na visão dos painelistas, as operadoras precisam rever o padrão tecnológico do 5G no Brasil. Hoje, ele reserva 80% das janelas de tempo para download e apenas 20% para upload. A discussão levanta a possibilidade de mais redes privativas, mas na visão dos especialistas, há ainda uma dificuldade dos clientes entenderem quando e para quê essa tecnologia é necessária.
“Muitas vezes, as pessoas acham que rede privativa é sinônimo de expansão de cobertura”, observou Átila Xavier, CTO da Surf. Outra questão é que esse tipo de conexão ainda não tem tanta aderência nos grandes centros urbanos, ficando atrelado apenas a nichos específicos.
Diante desse cenário, Bittencourt falou sobre a importância do amadurecimento do 5G Standalone. Além de ser uma nova fonte de receita para as operadoras, a tecnologia permite network slicing (fatiamento de rede), o que permite oferecer um melhor serviço de conexão e atender às novas demandas do mercado.
Foto: da esquerda para a direita, Samuel Possebon, diretor-geral do Teletime; Átila Xavier, CTO da Surf; Flávia Bittencourt, diretora de customer solutions da Ericsson; e Rodrigo Viegas, diretor de infraestrutura móvel da V.tal
da V.tal. Crédito: Marcos Mesquita/Mobile Time.


