Em 2022 a Meta assumiu o compromisso com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de não lançar novas ferramentas que pudessem impactar nas eleições presidenciais daquele ano. A funcionalidade de canais para envio de mensagens em broadcast (de um para muitos) foi uma delas e acabou sendo disponibilizada apenas em setembro de 2023. Mas somente agora, no segundo turno da campanha presidencial de 2026, a militância dos dois candidatos à presidência acordaram para o potencial dessa ferramenta.
Nos últimos dias, líderes dos dois lados criaram canais para a divulgação de conteúdos eleitorais e orientações para a militância. O primeiro foi o deputado federal André Janones (Rede-MG), com o canal “Exército do Lula”, em defesa da reeleição do atual presidente. A resposta da oposição veio em seguida, com o canal “Tropa do Flávio”, criado pelo deputado Nikolas Ferreira. Em poucos dias, ambos superaram a casa do milhão de seguidores. Na manhã desta terça-feira, 13, o canal administrado por Janones tinha 4,1 milhões e o de Nikolas, 1,4 milhão.
Note-se que ambos os canais estão com bases maiores que aquelas dos canais oficiais dos candidatos no mesmo WhatsApp. Nesta terça, o de Lula tinha 1,4 milhão e o de Flávio Bolsonaro, 205 mil. Cabe ressaltar que no caso da oposição existe um canal do ex-presidente Jair Bolsonaro com 1,2 milhão de seguidores, mas que parou de ser atualizado desde que o político foi condenado pela Justiça pela tentativa de golpe de Estado e ficou proibido de usar as redes sociais.
A corrida para povoar esses canais nos últimos dias desencadeou também uma guerra nos tribunais. No fim de semana, a campanha de Flávio conseguiu uma liminar do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, para fechar o canal de Janones, sob a acusação de que ali seriam propagadas fake news, mas a decisão foi derrubada no próprio tribunal por falta de provas.
Canais de WhatsApp em análise
Ao contrário dos grupos de WhatsApp, os canais não têm limitação de quantidade de membros. Além disso, ao menos por enquanto, permanecem gratuitos.
Apenas os administradores podem publicar conteúdos, o que permite direcionar a discussão, sem desviar do foco estabelecido. Os participantes podem apenas reagir às publicações e compartilhá-las com seus contatos.
Tanto Janones quanto Nikolas utilizam o espaço para orientar a militância e para distribuir vídeos e textos das campanhas em outras plataformas digitais, como Instagram, YouTube e TikTok.
Levando em conta que o WhatsApp está presente em 98,3% dos smartphones nacionais e na tela inicial de 64,8% deles, segundo a pesquisa Super Panorama Mobile Time/Opinion Box de junho deste ano, os canais são a ferramenta ideal para arregimentar uma massa de simpatizantes e unificar o comando das campanhas nas plataformas digitais. O que antes acontecia de forma dispersa pela conexão entre milhares de grupos no app de mensageria, agora parte de uma voz central em cada canal, e dali se espalha para outras frentes do ecossistema digital. O uso é legítimo, desde que não haja difusão de mentiras.


