Após o bom resultado de 2025, a Trocafy acredita que o novo ano caminha para uma maturidade do mercado de celulares recondicionados no Brasil e a possibilidade de ganhar mais espaço na realidade de compra do consumidor local. Em conversa com Mobile Time, Felipe Piva, head da operação da Allied Distribuidora, afirmou que o movimento comercial de recondicionamento de aparelhos celulares em 2026 seguirá guiado pelo cenário econômico com:

  • Alta taxas de juros;
  • Dificuldade do brasileiro em obter linhas de créditos para compra de dispositivos;
  • Baixo poder aquisitivo para o brasileiro comprar um celular novo, um produto que está cada vez mais robusto e caro, com telas grandes, múltiplas câmeras e processadores sofisticados com inteligência artificial.

Em paralelo a isso, o segmento de recondicionados ganha destaque por permitir que o brasileiro compre handsets de qualidade, marcas confiáveis e preços acessíveis com os dispositivos divididos em categorias. Na própria Trocafy, as ofertas são feitas em três categorias:

  1. ‘Como novo’, um smartphone praticamente impecável e zerado;
  2. ‘Tenho minhas marcas de uso’, um handset com marcas leves de uso;
  3. ‘Fui bem usado’, o celular tem marcas de uso mais evidentes.

Tabela Fipe de celulares da Trocafy

Piva acredita que o mercado de celulares recondicionados no Brasil deve caminhar para ser similar ao mercado de carros usados. Inclusive, a companhia trabalha no desenvolvimento de uma espécie de “Tabela Fipe” dos celulares com as configurações principais e valores tabelados dos devices.

O head da Trocafy afirmou que aguarda o momento certo para lançar esta tabela comparativa, uma vez que tal demonstração poderia assustar o consumidor em um mercado que traciona por maturidade: “Hoje, o brasileiro olha a tabela Fipe, e aceita que ao vender o seu carro antigo numa concessionária terá um deságio de 15 a 20%. Já está contextualizado na população a diferença entre você vender em uma Webmotors ou você vender direto numa concessionária”, compara.

“Mas o mercado de telefonia ainda tem essa desvantagem maior, pois é um produto de menor valor agregado. Os custos fixos da cadeia impactam mais o valor. Por isso, o preço assusta um pouco os consumidores”, completou. “Mas é uma questão de tempo com a maturidade e o consumidor conhecendo, entendendo que o preço pago pelos aparelhos (recondicionados) é um preço justo”, concluiu.

Piva também acredita que a recente entrada dos marketplaces (Magalu, Shopee e Mercado Livre) na venda desses aparelhos será fundamental para a maturidade do mercado e pode preparar o terreno para lançar a tabela, uma vez que geram relação de confiança, consolidam e demonstram o preço justo. Mas reconhece que a padronização nos varejistas online é um desafio que não segue a categorização dos produtos atualmente.

“Quem define a regra do marketplace não somos nós. É o próprio marketplace. Uma Amazon é diferente de um Mercado Livre e de um Magazine Luiza. Estamos pleiteando isso (categorização e padronização), mas temos que seguir a regra que eles definirem”, detalhou. “Mas acredito que todos deveríamos conversar para padronizar isso”, disse o representante da distribuidora.

Radar

Na conversa com esta publicação, o head da operação confirmou que algumas opções estão no radar da empresa. É o caso de avanço para novas categorias de produtos como tablets, smartwatches, consoles e notebooks, em sinergia com o parque da Allied.

Também avalia mais programas de trade-in sofisticados, como o iPhone para Sempre do Itaú, “o principal canal de venda de lançamento” da fabricante no país que obteve crescimento de 21% e atingiu recorde de vendas no terceiro trimestre de 2025, ante o mesmo período um ano antes.

Também afirmou que consideram ampliar a oferta de devices além de suas marcas líderes (Apple, Samsung e Motorola) e adicionar os chineses. Mas reforçou que isso só será feito para modelos que sejam comprados via mercado legal, independentemente do fabricante.

Imagem principal: Ilustração produzida por Mobile Time com IA.

 

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