O diretor de operações da Elo, Alessandro Hamaguchi, estima que nos próximos cinco anos a inteligência artificial poderá tomar decisões em um contexto de autenticação e dados compartilhados entre todos os agentes do setor de meios de pagamentos, o que inclui:

  1. Bancos;
  2. Adquirentes;
  3. Bandeiras.

Durante participação no 19º CMEP em São Paulo nesta quarta-feira, 15, Hamaguchi afirmou que o ecossistema financeiro precisa deixar de operar em silos e começar a atuar de forma colaborativa e multicanalizada para uma experiência de pagamento fluida e sem barreiras.

Para Cássia Pinheiro, head de performance optimization na Adyen para a América Latina, a indústria de pagamentos deve perder o medo de usar a IA e começar a usar tecnologias como a biometria física e comportamental. Isso porque o cenário está mudando do foco da confirmação de identidade por senha para autenticação por comportamento – como a digitação no celular.

Desafios e tendências em IA e autenticação

Ainda assim, Edson Ortega, consultor executivo de payments security, fraud & identity solutions da Visa, afirmou que a chegada da IA traz uma série de desafios, como:

  • A fraude é mais sofisticada;
  • A erosão da confiabilidade da biometria;
  • Trade-offs extremos com fricção de vendas versus fraude;
  • Dependência de dados e privacidade;
  • Governança e explicação dos modelos de IA;
  • O fato de a IA não poder ser escondida e a dificuldade de compreensão dos algoritmos;
  • E a fragmentação do ecossistema, como cartões, Pix, open finance que coexistem para atender o cliente.

Por outro lado, o executivo da bandeira aponta que as principais tendências para a autenticação no mercado de meios de pagamentos são: Identity-centric payments; autenticação invisível; IA orquestrando a tomada de decisão; convergência entre pagamentos e identidade; autenticação contínua cross-channel.

Autenticação contínua

A representante da Adyen afirmou ainda que a autenticação contínua veio para ficar e seguirá como realidade do setor, inclusive combinada com a IA. Isso permitirá evoluir para uma autenticação silenciosa, mas isso dependerá de o mercado usar os dados, como aqueles captados no 3DS 3.0, para identificar o consumidor com mais propriedade e de forma “mais inteligente” do que é feito hoje.

Já o executivo da Elo reforçou que é necessário ter um tempo mais curto de mudança nos motores de autenticação. Se atualmente o ciclo de atualização é de seis meses até um ano, a alteração dos motores precisa ser instantânea com o advento da IA, pois os fraudadores estão encurtando o tempo de produção para o tempo real com a mesma tecnologia.

Imagem principal: Painel de pagamentos com inteligência artificial no 19º CMEP (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)

 

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