Redes celulares privativas (RCPs) muitas vezes carecem de segurança, avalia Ricardo Guedes, country manager da OneLayer no Brasil. Ele cita, entre os fatores de risco, o uso de protocolos antigos e vulneráveis, como o SS7, e o aumento da superfície de ataque no 5G, com a ampliação e a variedade de dispositivos de IoT conectados.
“Empresas que operam redes privativas LTE/5G em setores como mineração, portos e indústria frequentemente subestimam riscos específicos dessas redes, tratando-as como extensões da TI convencional sem a expertise de telecom necessária”, avalia o executivo, em resposta para o Mobile Time.
“O problema não é negligência. É que as redes celulares privativas foram projetadas e implantadas por equipes de OT e conectividade, não por equipes de segurança. O foco era cobertura, throughput, latência etc. Segurança era uma preocupação de TI, e as ferramentas de TI não foram construídas para redes celulares privativas”, acrescenta.
A falta de visibilidade e de controle dos dispositivos é um dos problemas destacados pelo country manager da OneLayer. “Hoje, existe uma classe de dispositivos — modems industriais, sensores, veículos autônomos, equipamentos de campo — conectados a redes privadas sem o mesmo nível de controle que se aplicaria a um notebook corporativo. Ninguém sabe exatamente o que está conectado, quando foi conectado ou se o comportamento daquele dispositivo mudou. No modelo de segurança de infraestrutura crítica, isso é um risco inaceitável”, comenta.
“Em síntese: o problema não é a ausência total de segurança, mas uma assimetria — entre a sofisticação das ameaças modernas e a capacidade de resposta regulatória, técnica e de governança do setor”, conclui.
OneLayer e o mercado brasileiro
Com experiência no mercado norte-americano, onde atende RCPs de empresas como a Xcel Energy e a Cleveland Clinic, a OneLayer está de olho na demanda por segurança para redes de missão crítica em setores como mineração e energia no Brasil.
“O Brasil apresenta uma combinação interessante: alto potencial de crescimento, base industrial robusta (energia, mineração, agro) e ambiente regulatório favorável — mas com compradores que ainda estão na curva de aprendizado sobre gestão e segurança de redes privativas. Isso significa que o ciclo de vendas tende a ser mais educativo e mais longo do que nos EUA, mas o espaço de conquista é maior, com menos competição estabelecida no nível de plataforma”, analisa Guedes.
“O Brasil já é reconhecido como referência regional na implementação de RCPs, o que cria um efeito de demonstração para outros mercados da América Latina — tornando o país não apenas um mercado em si, mas uma vitrine estratégica para a expansão regional da OneLayer. E o que diferencia o Brasil é a escala: as utilities brasileiras têm áreas de cobertura enormes. As minas são algumas das maiores do mundo. Quando esse mercado se mover para segurança de redes privativas, vai se mover em volume. Estamos aqui para construir uma posição antes dessa curva, não depois”, afirma.
A OneLayer oferece soluções de onboarding, visibilidade e proteção de dispositivos em RCPs. No onboarding, a ferramenta automatiza o processo de inclusão e provisionamento de dispositivos. Em visibilidade, entrega device fingerprinting para identificar o que está na rede e detectar anomalias. Em proteção, implementa uma camada de segurança integrada aos firewalls, ao NAC e ao core da RCP para a aplicação de políticas, segmentação de rede e controle de acesso.
“Estendemos princípios de zero trust para ativos não IP e OT, que tradicionalmente ficam fora do escopo das soluções de segurança corporativa convencionais”, explica Guedes.
OneLayer no MPN Forum
Felipe Mahatma, engenheiro de soluções da OneLayer, fará uma apresentação sobre a importância da segurança em redes celulares privativas durante o MPN Forum 2026, que acontecerá nesta terça-feira, 16, no WTC, em São Paulo. A agenda atualizada e mais informações estão disponíveis em www.mpnforum.com.br



