O Ministério da Segurança da Argentina apresentou o Plano Federal de Combate à Fraude Ciberassistida 2026-2027, uma estratégia que busca fortalecer a prevenção, detecção e resposta a crimes digitais que utilizam ferramentas tecnológicas e técnicas de engenharia social para enganar usuários, empresas e instituições.
A iniciativa surge em um contexto de crescente digitalização de serviços financeiros, comércio eletrônico e plataformas digitais, ambiente que vem sendo aproveitado por organizações criminosas para desenvolver novas modalidades de fraude, como phishing, roubo de identidade, golpes bancários e fraudes relacionadas a criptoativos.
De acordo com o documento oficial, o plano busca estabelecer um marco metodológico que permita enfrentar esse fenômeno de maneira abrangente, por meio da coordenação entre órgãos públicos, o setor financeiro, empresas de tecnologia e a sociedade civil.
O objetivo é fortalecer as capacidades do Estado para prevenir, detectar e mitigar esses crimes no ambiente digital.
Plano federal contra fraude ciberassistida terá três eixos de ação
O plano federal se estrutura em três eixos principais: prevenção, detecção e resposta. No campo da prevenção, a estratégia prevê campanhas de conscientização voltadas à população, além da produção de materiais informativos sobre as principais ameaças digitais.
Também estão previstas atividades de educação digital em escolas, universidades e outros espaços comunitários, assim como a colaboração com órgãos reguladores e plataformas utilizadas para a prática de fraudes.
O eixo de detecção inclui a melhoria dos canais de denúncia, entre eles a linha telefônica 134, o e-mail e formulários na web, com o objetivo de otimizar o recebimento de relatos e gerar estatísticas que permitam identificar padrões criminosos.
Entre as ações previstas também está o fortalecimento das capacidades do Centro de Sinergia Cibernética das Forças Policiais e de Segurança Federais (CS5), instância voltada à coordenação da investigação de crimes cibernéticos e ao intercâmbio de informações entre forças de segurança.
No que diz respeito à resposta, o plano prevê a coordenação com entidades responsáveis pela gestão de chaves bancárias e virtuais para bloquear ou congelar contas utilizadas em atividades ilícitas. Também busca fortalecer a colaboração com instituições financeiras, provedores de ativos virtuais e empresas de tecnologia para acelerar a reação a incidentes e aprimorar os mecanismos de bloqueio de transações fraudulentas.
Coordenação institucional
A implementação do plano será coordenada pela Direção de Cibercrime e Assuntos Cibernéticos do Ministério da Segurança, responsável por desenhar e executar políticas públicas relacionadas à investigação de crimes informáticos e à assistência às vítimas.
Segundo o documento, a estratégia também está alinhada com outras iniciativas governamentais em matéria de cibersegurança, entre elas o Plano Federal de Prevenção de Crimes Cibernéticos e Gestão Estratégica da Cibersegurança 2025-2027 e o Programa de Fortalecimento em Cibersegurança e Investigação do Cibercrime (ForCIC).
O anúncio ocorre em meio a uma crescente preocupação com golpes digitais no país. Segundo um estudo da empresa de cibersegurança Kaspersky, 76% dos usuários argentinos reconhecem ter sido vítimas de ao menos um golpe digital ou fraude no comércio eletrônico.


