A venda de supercomputadores usados no treinamento e na inferência de grandes modelos de linguagem (LLM) de inteligência artificial não vai se restringir a negociações diretas entre grandes empresas. Modelos compactos estarão disponíveis em prateleiras do varejo tradicional. E um dos primeiros varejistas do Brasil a apostar nisso não está no eixo Rio-São Paulo: trata-se da Bemol, sediada em Manaus, uma rede varejista que atende cidades da chamada Amazônia Ocidental, composta pelos estados de Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima.
O primeiro supercomputador à venda pela Bemol é o Veriton GN100, da Acer, equipado com o chip NVIDIA GB10 Grace Blackwell. Ele é do tamanho de um livro e tem desempenho de 1 petaFLOP, com 128 GB de memória unificada e até 4 TB de armazenamento NVMe. É capaz de lidar com modelos com até 200 bilhões de parâmetros, podendo chegar a 500 bilhões se conectadas duas unidades.
“Isso permite a utilização simultânea de grandes LLMs pré-treinados ou refinados na faixa de 70 a 120 bilhões de parâmetros, incluindo modelos como DeepSeek R1 (70 bilhões de parâmetros), gpt-oss (120 bilhões de parâmetros) ou LLMs comparáveis, ajustados por instruções e refinados, otimizados para inferência local”, escreve a empresa em seu comunicado à imprensa sobre o lançamento.
O GN100 está sendo vendido pelo site da Bemol por R$ 44.999 ou R$ 30.999, caso o comprador seja uma empresa localizada na Zona Franca de Manaus ou Boa Vista.
A varejista montou um estoque inicial de 500 unidades do supercomputador.

Veriton GN100, da Acer, equipado com o chip NVIDIA GB10 Grace Blackwell
Casos de uso para supercomputadores
Em conversa com Mobile Time, o head de engenharia de software e dados da Bemol, João Clineu, listou três fatores que vão impulsionar a demanda por supercomputadores no Brasil: 1) necessidade de soberania/segurança sobre os dados e modelos de IA; 2) alto custo da nuvem para IA; 3) baixa qualidade de conectividade em certas regiões do país, o que dificulta o uso da IA na nuvem.
“Imagine um pesquisador que precise levar sua pesquisa para uma área remota, sem Internet. Com um supercomputador, ele pode validar experimentos grandes e complexos sem ter que voltar para processar os dados em uma sala com servidores”, cita Clineu.
Outro exemplo seria o de uma empresa que precise testar modelos de IA com segredos industriais, o que requer a contratação de camadas de segurança extras se feito na nuvem.
“Isso também vale para um empreendedor inovador que precise de um custo enxuto pra validar uma hipótese com IA. Com uma máquina dessas ele reduz seu custo com cloud e pode fazer experimentos locais. O preço de R$ 40 mil fica barato”, afirma.

Veriton GN100 tem o tamanho de um livro
Bemol: LLM e agentes próprios
Vale destacar que a Bemol também tem utilizado o GN100 dentro de casa, para os seus próprios projetos de IA. Dentre eles está o desenvolvimento de um LLM próprio e a produção de agentes de IA para atividades críticas em seus processos, como gerenciamento de pedidos do e-commerce ou manutenção do data lake.
Faturamento de R$ 5 bilhões
A Bemol teve faturamento de R$ 5 bilhões em 2025. A varejista tem 37 lojas, além de e-commerce e televendas. O grupo conta ainda com 45 farmácias com atendimento multicanal; 23 loterias; quatro Mercados e seis Centros de Distribuição, assim como uma estrutura própria de logística, composta por 220 caminhões e integração rodoviária e fluvial.
A ilustração no alto foi produzida por Mobile Time com IA


