As antenas deixaram de ser commodity nas redes de telefonia celular e terão um papel determinante no serviço das operadoras móveis diante do aumento do tráfego uplink decorrente de aplicações de inteligência artificial. Essa é a opinião de Rodrigo Goulart, vice-presidente para as Américas da Ericsson Antenna System, divisão de antenas da Ericsson.
“Dez anos atrás, as antenas não eram tão relevantes. A operadora escolhia a mais barata. As antenas eram consideradas commodities. Mas isso mudou, as coisas evoluíram. As antenas estão se tornando o gateway, o habilitador físico da inteligência artificial”, comenta Goulart, em entrevista para o Mobile Time.
O tráfego móvel vai dobrar no mundo até 2031, puxado principalmente pelo uplink, que vai crescer três vezes no mesmo período, em razão do surgimento de novas aplicações de IA física em vários dispositivos conectados. O problema é que as redes atuais estão configuradas para dedicar aproximadamente 85% da sua capacidade para o downlink e apenas 15% para o uplink. Nesse cenário, o uso de antenas com melhor performance pode fazer uma diferença significativa na qualidade do serviço.
Antenas: eficiência do sinal e alinhamento de frequências

Rodrigo Goulart, vice-presidente da Ericsson e head da Ericsson Atenna System para as Américas (crédito: divulgação)
A diferença entre as antenas nem sempre aparece nas especificações técnicas. O material, o design e até a soldagem podem alterar de maneira significativa a sua performance.
Ciente disso, a Ericsson investiu alguns anos atrás na aquisição de uma fabricante alemã de antenas, a Kathrein, e combinou o seu conhecimento de redes móveis para aperfeiçoar a produção. Para o desenvolvimento de cada novo modelo de antena, a Ericsson cria um gêmeo digital para simular o desempenho na operação. Assim, consegue testar em ambiente virtual o resultado de cada alteração de material, design ou processo produtivo.
“Só quem conhece rede e rádio profundamente consegue melhorar o desenho de uma antena. A gente faz centenas de simulações para medir o impacto antes de produzir o modelo físico”, relata o executivo.
As antenas atuais da Ericsson usam menos cabos internos, o que melhora a qualidade do sinal. A soldagem é feita a laser, muito mais precisa. O design foi pensado para reduzir a carga de vento incidente na antena. A estrutura é de plástico 100% reciclado, em formato de “colmeia” por dentro, deixando a antena 40% mais leve do que se fosse feita com fibra de vidro, além de melhorar a condutividade, conferir maior resistência física e ser ecologicamente correta.
Todos esses cuidados fazem com que as antenas da Ericsson tenham 85% de eficiência de sinal (beam efficiency), ante 70% da média do mercado, afirma Goulart. Além disso, garantem maior precisão no alinhamento das frequências, melhorando o desempenho na agregação de canais. Também diminuem o consumo de energia.
“É importante as frequências estarem bem alinhadas para melhorar o carrier aggregation. Com isso e com a melhor eficiência de sinal das antenas, conseguimos um aumento de no mínimo 30% no uplink e no downlink”, diz o executivo.
Em um teste feito no Peru, ao substituir as antenas por modelos da Ericsson, uma operadora registrou um aumento de 42% no throughput de uplink na rede 4G e uma redução de 3% no consumo de energia.
A Ericsson quer incentivar as teles a modernizarem as antenas de suas redes, independentemente de quem for o fornecedor dos equipamentos de rádio.
“Gastar milhões em espectro e não ter uma boa antena é como comprar uma Ferrari e botar um pneu de bicicleta”, resume Goulart.
Live sobre o papel das antenas na evolução das redes 5G
A Ericsson e o Mobile Time vão realizar uma live sobre “Evolução das redes 5G: repensando as antenas na era da IA e do uplink”, no dia 27 de agosto, às 14h. O acesso é gratuito, mas requer credenciamento prévio neste link.
Vão participar da live: Murilo Barbosa, vice-presidente de negócios da Ericsson Brasil; Rodrigo Goulart, vice-presidente da Ericsson Antenna System para as Américas; Paulo Bernardocki, diretor de soluções e tecnologia da Ericsson Brasil. A moderação será feita pelo diretor-geral do Mobile Time, Fernando Paiva.



