| Publicada originalmente no Teletime | As principais operadoras de telecomunicações do Brasil entendem ser necessário um novo modelo de regulação para o ecossistema digital, diminuindo a carga sobre o setor de infraestrutura e refletindo o poder de grandes plataformas digitais. Temas como tributação e segurança pública também são pontos de atenção da cadeia

A agenda foi apontada por Alberto Griselli, presidente da Telebrasil e CEO da TIM, durante a abertura do Painel Telebrasil Summit 2026, iniciado em Brasília nesta terça-feira, 19. A mensagem foi entregue em “momento especial de proximidade com as eleições” e buscou viabilizar um diálogo propositivo com os líderes do País, indicou o executivo.

Para Griselli, o mundo atravessa transição tecnológica de grande magnitude, marcada pela ascensão da inteligência artificial. “Quando a tecnologia muda de era, a regulação deve acompanhar. Devemos nos interrogar se o desenho institucional que organizou as telecomunicações brasileiras nos últimos anos permanece à prova de futuro“.

Neste sentido, o poder de mercado das grandes plataformas de Internet foi destacado. O presidente da Telebrasil descreveu cenário de “assimetria invertida”, onde quanto maior o poder global das big techs, menor a regulação local. Na outra direção, quanto maior o investimento local das operadoras de telecom, maior seria o ônus regulatório.

Griselli reforçou o pleito do setor que as grandes plataformas contribuam com a sustentabilidade de rede e classificou como obsoleto o conceito da neutralidade de rede, que dificultaria novos acordos entre a cadeia de telecom e as big techs. Outro ponto lamentado foi a fragmentação da regulação do ecossistema digital brasileiro.

Segurança, espectro e tributação

A agenda da Telebrasil também foi marcada por pautas como segurança, infraestrutura e tributação. Neste último caso, Griselli defendeu a extinção de fundos setoriais que teriam perdido sua finalidade e citou o Fistel (voltado para atividades de fiscalização). Já outros fundos como o Fust poderiam ser redesenhados, apontou.

Na área da segurança, a Telebrasil cobrou maior proteção para as redes, destacando cifras como mais de 5 milhões de metros de cabos roubados anualmente, com impacto sobre cerca de 7 milhões de consumidores.

Já na infraestrutura de rede, a entidade reforçou a defesa da agenda para acesso ao espectro, citando especialmente o 850 MHz, cuja renovação está atualmente em discussão. Griselli ainda defendeu acordos de compartilhamento de rede em um momento onde o formato começa a ser questionado por reguladores.

“Duplicar rede é um luxo que a economia brasileira não pode permitir. Medidas como RAN sharing e compartilhamento de rede em geral devem ser consideradas uma evolução natural”, afirmou o presidente da Telebrasil.

Foto principal: Alberto Griselli, CEO TIM Brasil e presidente da Telebrasil. Crédito: Danilo Paulo/Teletime

 

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