|Mobile Time Latinoamérica| O México anunciou uma credencial digital para o seu Serviço Universal de Saúde, que integrará as principais instituições do setor em um único modelo interoperável.
Até agora, o sistema de saúde mexicano opera de forma fragmentada, com carteirinhas de papel ou cartões plásticos independentes e prontuários clínicos que não se comunicam entre instituições como IMSS, ISSSTE ou IMSS-Bienestar. A nova credencial busca romper esse modelo ao funcionar como uma chave digital única, válida em todo o sistema público de saúde.
O subsecretário de Integração Setorial e Coordenação de Serviços de Atenção Médica, Eduardo Clark García Dobarganes, explicou que a credencial garantirá o acesso gratuito aos serviços de saúde do Governo do México. Durante sua apresentação na coletiva matinal diária, afirmou que ela estará disponível em versão digital, por meio do aplicativo App MX, a partir de abril — além da versão física.
A identificação incluirá dados pessoais básicos, informações médicas relevantes, como tipo sanguíneo e doação de órgãos, além de códigos QR que permitirão validar, em tempo real, o direito de atendimento do usuário e localizar a unidade médica mais próxima.
México: prontuário médico interoperável entre instituições públicas
A principal mudança tecnológica do projeto é a vinculação de cada pessoa a um Prontuário Médico Eletrônico único, independente da instituição à qual esteja vinculada em determinado momento. O objetivo é que o histórico clínico acompanhe o paciente mesmo quando ele mudar de emprego, regime de filiação ou domicílio.
Segundo Clark, dessa forma médicos e instituições poderão acessar o histórico de consultas, exames e prescrições sem depender de prontuários isolados, o que facilitaria a tomada de decisões clínicas e reduziria a repetição de exames.
Essa interoperabilidade também busca viabilizar o intercâmbio de serviços entre instituições, aproveitando a infraestrutura existente do setor público de saúde como um sistema integrado, e não como entidades separadas por barreiras administrativas.
Em uma fase posterior, a credencial digital permitirá o agendamento de consultas e avançará para um modelo de portabilidade do serviço, no qual os usuários poderão ser atendidos na unidade de saúde mais conveniente de acordo com sua localização cotidiana, e não apenas na clínica designada com base no endereço residencial, como ocorre há anos.
Do ponto de vista do governo digital, García destacou que o projeto representa um salto tecnológico em relação ao modelo tradicional de identificação na saúde, ao centralizar dados, permitir consultas em tempo real e eliminar a dependência de documentos físicos para validar direitos.
Registro nacional da credencial digital começa em março
A secretária de Bem-Estar, Ariadna Montiel Reyes, informou que o registro da credencial digital terá início em 1º de março e abrangerá toda a população do país, com prioridade para os estados cujos serviços foram transferidos ao IMSS-Bienestar. Ou seja, regiões onde a operação dos centros de saúde passou ao governo federal após a transferência dos sistemas estaduais de saúde. Essas áreas concentram cerca de 98 milhões de pessoas.
Para isso, serão instalados 2.365 Módulos de Bem-Estar, com mais de 14 mil servidores públicos e cerca de 9.800 estações de registro para a coleta de dados biométricos e pessoais. O processo seguirá um calendário alfabético e ocorrerá entre março e dezembro de 2026.
A credencial física será entregue aproximadamente seis semanas após o registro, enquanto a versão digital poderá ser baixada por meio de um código QR e ficará vinculada ao App MX.
O novo sistema também incorporará informações geradas pelo programa Saúde Casa por Casa, que já realizou mais de 10,2 milhões de consultas médicas domiciliares a idosos e pessoas com deficiência.
Antecedentes em plataformas digitais governamentais
O anúncio também levantou questionamentos sobre a proteção de dados pessoais e sensíveis. Em redes sociais, o jornalista especializado Ignacio Gómez Villaseñor alertou que a credencial e sua versão em aplicativo concentrarão informações sensíveis, o que aumenta a importância de controles rigorosos de segurança.
O alerta faz referência a antecedentes de vulnerabilidades em plataformas governamentais. Em especial, à Chave CDMX, desenvolvida pela Agência Digital de Inovação Pública (ADIP), instituição que anteriormente foi liderada por Eduardo Clark.
Em 2024, foi reportado o vazamento de logins e senhas da Chave CDMX, plataforma utilizada por mais de 6,3 milhões de pessoas para serviços digitais na capital do país. Segundo diversos veículos locais, as credenciais comprometidas permitiam o acesso a dados pessoais e documentos oficiais dos usuários.
A imagem principal foi criada por Mobile Time com IA.


