A PUC-Rio realizou nesta quarta-feira, 23, a segunda edição da sua Feira de Aplicativos, que acontece uma vez a cada dois anos reunindo projetos de apps em fase de desenvolvimento pelos alunos do curso Apple Developer Academy, coordenado pelo departamento de informática da universidade e apoiado pela Apple. Todos os projetos são de apps em iOS.

“Os apps estão em diferentes níveis de maturidade. A feira ajuda a receberem feedbacks de outros alunos da universidade. Isso faz parte do aprendizado”, comenta Andrew Costa, professor do Departamento de Informática do CTC/PUC-Rio.

Mobile Time teve a oportunidade de conhecer em mais detalhes quatro dos nove projetos apresentados. Um dos que mais chamou a atenção é o jogo Mutatis. Trata-se de um clássico do estilo “shoot ‘em up”, mas com um diferencial criativo: os dados captados por diversos sensores e condições do smartphone alteram o jogo em tempo real. O som, a luz ambiente, a angulação do telefone, o nível de bateria e até se o aparelho está ou não conectado na tomada para recarga: tudo isso modifica o jogo. A palheta de cores muda dependendo da luminosidade do ambiente, por exemplo. Os inimigos e suas formas de ataque também são modificadas dependendo de certos fatores. “Queremos usar tudo o que o celular dispõe”, diz Victor Pineles, um dos criadores do Mutatis. Para o lançamento, previsto para novembro, o game terá download gratuito e talvez publicidade em troca de recompensas.

Victor Pineles, Luiz Fernando Duarte e Pedro Ferraz, criadores do Mutatis

Para o público infantil, há o projeto Alfabrincando, um aplicativo para iPad que reúne diferentes minijogos focados na alfabetização de crianças. O objetivo de um deles é formar palavras com nomes de animais a partir de seus desenhos e de letras coloridas embaralhadas. Para cada letra, o app emite o som do fonema e depois lê em voz alta a palavra formada. “Queríamos criar algo na área de educação e percebemos que havia poucas opções para alfabetização em português na loja brasileira”, relata Giuliana Moté, uma das criadoras. O Alfabrincando já foi apresentado em duas escolas, uma pública e outra privada, para colher feedbacks. Seu lançamento está previsto para dezembro.

Gabriela Szpilman, Giuliana Moté e Fernanda Castro, criadoras do Alfabricando

O Neon Project, por sua vez, é um game de realidade aumentada no qual de duas a oito pessoas jogam interagindo no mesmo cenário virtual. O palco do jogo é construído em menos de um minuto usando a câmera de um iPad para limitar  sua área. Nela, são criados postes virtuais que são visualizados pelos tablets dos jogadores. O objetivo é trocar os postes de cor “tocando-os” com o tablet.

Vinicius Bonemer, Julia Lima e Pedro Gomes, criadores do Neon Project

Por fim, o Relista se propõe a ser um app de lista de compras inteligente. Seu diferencial é a aprender com o histórico de uso do consumidor e enviar recomendações automaticamente. “Se a pessoa compra 1 kg de arroz toda semana, depois de duas compras o app vai lembrá-la de comprar arroz na semana seguinte”, exemplifica André Alves, um dos criadores. O Relista também permite o compartilhamento fácil das listas entre membros da mesma família; guarda o histórico de compras para gerar estatísticas; e organiza as compras em categorias. Um próximo passo consistirá em permitir o escaneamento do QR code em notas fiscais do Rio de Janeiro para guardar as informações do que efetivamente tiver sido comprado.

Thiago Dias e André Alves, criadores do Relista

Outros cinco projetos apresentados na feira são: Chá das Cinco (app que oferece um espaço seguro para mulheres conversarem sobre assédios dos quais são vítimas); Lumi (app que disponibiliza novas formas de captura de imagem com a câmera do iPhone, combinando diversos controles manuais e um conjunto de flashes); Turi (app que promove o encontro de turistas com habitantes da cidade visitada que queiram mostrá-la); Following Seas (jogo cooperativo baseado na comunicação e manejo de recursos); e InnHell (jogo no estilo tactis/roguelike em que o objetivo é atravessar nove ciclos do inferno de Dante levando cerveja do inferno ao céu).

A expectativa é de que os apps desenvolvidos pelos alunos sejam publicados na App Store brasileira até dezembro.