A Ascenty planeja ao todo um US$ 1 bilhão de investimento em suas operações de data center na América Latina, sendo 85% desse valor destinado para o Brasil (a maior parte), Chile e México. De acordo com Marcos Siqueira, CRO e head de estratégia da companhia, o movimento é guiado por duas demandas:

  • Projetos essenciais de cloud que avançam normalmente;
  • Projetos de inteligência artificial que estão à espera de decisões regulatórias ou começam a tomar caminhos para outros países. 

Em conversa recente com Mobile Time, Siqueira conta que o atraso na aprovação do Redata é o que mais tem impactado. Mas como a pauta dos data centers é importante para o país e tem aval da oposição e situação política, o executivo mostrou-se positivo com a aprovação.

Para o executivo, a política nacional de data centers é um “grande ecossistema” com possibilidade de trazer grandes investimentos associados à IA, como geração de empregos para data centers, linha de transmissão de energia, mais investimentos em telecomunicação, além de fomentar a indústria local de TIC.

Mas o principal ponto é reduzir o custo de equipamentos que podem representar até um terço da economia dos investimentos em uma construção de centro de dados, em especial pelas unidades de processamento gráficos (GPUs) que são vitais para treinamento de IA.

“Um data center de 100 MW deve custar algo como US$ 1 bilhão,incluindo infraestrutura, energia, terreno e prédio. No entanto, com a entrada de equipamentos, o cliente investe entre US$ 4 a US$ 5 bilhões, com os impostos incluídos. A carga tributária é um terço desse total.  Por isso os benefícios tributários são aquilo que estimulam a importação de equipamentos que não são fabricados para o Brasil”, diz.

Data centers e IA no horizonte da Ascenty

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Centro de dados da Ascenty em São Paulo (divulgação)

Apesar do imbróglio, o head da Ascenty acredita que o Brasil tem tudo para ser um hub estratégico no ecossistema global de data centers, em especial por consumir menos energia elétrica do que possui, ter energia elétrica abundante, com 90% oriundas de fontes renováveis, ter custo de energia até 20% mais barato que os Estados Unidos, além de possuir boa capacidade de conexão com cabos submarinos – o país todo fibrado e capacidade dessa infraestrutura de energia e telecomunicações.

Neste cenário, Siqueira explica que a expectativa é que a demanda principal siga com hyperscalers e seus serviços de nuvem que passam a ter mais IA embarcada. Em um segundo momento, vem a demanda local por inferência de IA com latência baixa, em especial nos grandes centros. 

Investimentos do ano

A Ascenty anunciou recentemente a ampliação do seu campus em São Paulo com a operação do data center SPO05 e o começo da construção do SPO06. Para efeito de comparação, o SPO05 foi anunciado em julho de 2025 e custou R$ 300 milhões. Já o SPO06 tem investimento estimado de R$ 600 milhões e tem lançamento estimado para maio de 2027.

Como uma joint-venture da Digital Realty com a Brookfield, a Ascenty tem 26 data centers em operação e 12 em construção, sendo 21 deles no Brasil. O restante estão espalhados por Chile, Colômbia e México. Contudo, o centro de dados colombiano ainda não foi ativado por falta de demanda.

A sua estratégia de construção passa por três pilares:

  • Uso de energia própria em parceria com a Casa dos Ventos;
  • Data center sem uso de água para refrigeração;
  • A arquitetura é feita para aceitar as GPUs e CPUs mais recentes, embora não influencie no processo de escolha de seus clientes.

Com mais de 4 mil quilômetros de rede de fibra ótica proprietária para fazer a conexão entre seus centro de dados, a companhia atua como provedor para hyperscalers americanas e asiáticas e grandes empresas.

Imagem principal: Marcos Siqueira, CRO e head de estratégia da Ascenty (divulgação)

 

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