|Mobile Time Latinoamérica| Os dois fortes terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram o norte da Venezuela na quarta-feira, 24 de junho, colocaram à prova a capacidade tecnológica e das telecomunicações do país para responder a uma emergência de grande magnitude.

O alerta antecipado emitido pelo Google permitiu que muitas pessoas conseguissem sair a tempo. No entanto, as redes de telecomunicações foram afetadas pelos danos causados, e o acesso às redes sociais e a outras plataformas ainda é limitado.

Alerta do Google

Minutos antes de os tremores serem sentidos, inúmeros usuários de telefones Android na Venezuela receberam alertas automáticos avisando sobre a chegada do terremoto. Nas redes sociais, diversos cidadãos compartilharam relatos afirmando que a notificação lhes permitiu sair de suas casas ou buscar abrigo a tempo.

O alerta foi possível graças ao sistema Android Earthquake Alerts, do Google, uma plataforma que transforma mais de 2 bilhões de dispositivos Android em uma rede global de detecção sísmica.

O sistema utiliza os acelerômetros integrados aos telefones para identificar vibrações compatíveis com movimentos sísmicos. Quando múltiplos dispositivos detectam sinais semelhantes em uma mesma região, a plataforma analisa os dados e, se confirma a ocorrência de um terremoto, envia alertas automáticos aos usuários próximos.

Embora essa tecnologia não preveja terremotos, ela pode fornecer alguns segundos de antecedência antes da chegada das ondas sísmicas mais destrutivas, tempo suficiente para que as pessoas busquem proteção, como ocorreu na Venezuela.

Redes de telecom sob pressão

Enquanto a tecnologia móvel ajudou a alertar parte da população, a emergência também evidenciou as fragilidades da infraestrutura de telecomunicações venezuelana.

Após os terremotos, usuários dentro e fora do país relataram dificuldades para se comunicar com familiares e amigos, tanto por chamadas telefônicas quanto por aplicativos e redes sociais.

A organização de monitoramento da internet NetBlocks informou que a conectividade sofreu uma queda significativa em todo o território venezuelano, incluindo Caracas, devido aos danos nas redes elétricas e de telecomunicações. Segundo a entidade, os danos à infraestrutura provocaram interrupções no acesso à internet em diversas regiões durante as operações de emergência e resgate.

De acordo com o relatório mais recente, divulgado na quinta-feira, 25 de junho, a NetBlocks informou: “Nove horas depois de dois terremotos de magnitude superior a 7 atingirem a Venezuela, a conectividade nacional com a internet continua reduzida, embora tenha sido parcialmente restabelecida. A interrupção é consequência de cortes de energia e danos à infraestrutura, dificultando as operações de resgate e limitando a visibilidade dos acontecimentos no local.”

Operadoras oferecem serviços gratuitos

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência nacional, mas não forneceu detalhes sobre a situação da infraestrutura das redes elétricas e de telecomunicações. A Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) também não divulgou informações até o momento.

Diante da emergência, porém, as principais empresas de telecomunicações anunciaram medidas extraordinárias para facilitar a comunicação da população.

A Movistar informou que liberou chamadas gratuitas em todo o país durante 72 horas e, posteriormente, estendeu o benefício para mensagens de texto gratuitas a todos os seus clientes.

A estatal Cantv anunciou gratuidade dos serviços de internet, telefonia e televisão durante 48 horas, com o objetivo de manter conectadas as famílias afetadas.

A Digitel também ativou um plano de contingência, oferecendo chamadas e mensagens SMS gratuitas durante 48 horas, especialmente nas áreas mais atingidas pelos terremotos, entre elas Caracas, La Guaira, Valencia, Maracay, San Felipe e Barquisimeto.

No âmbito internacional, a operadora argentina Personal anunciou bônus de serviços para clientes que estão na Venezuela e gratuidade para chamadas da Argentina para o país. A empresa disponibilizou pacotes de roaming sem custo para clientes em território venezuelano, além de isentar de cobrança as chamadas feitas por clientes móveis e fixos da Argentina para a Venezuela.

As medidas buscam reduzir as dificuldades de comunicação provocadas pelos danos à infraestrutura e facilitar o contato entre familiares, equipes de emergência e autoridades.

Acesso livre às redes sociais

Nas últimas horas, venezuelanos dentro e fora do país têm utilizado as redes sociais para informar sobre a emergência, além de organizar redes de apoio para localizar pessoas ainda desaparecidas. No entanto, as restrições impostas pelo governo também têm dificultado esse trabalho.

A situação levou organismos internacionais a defenderem a garantia do acesso às comunicações durante a crise. A ONU, por meio da Missão Internacional Independente de Determinação dos Fatos sobre a Venezuela, solicitou à Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) o restabelecimento pleno do acesso às redes sociais e aos meios de comunicação.

Segundo a entidade, a disponibilidade de informações confiáveis e de canais de comunicação é fundamental nas horas seguintes a um desastre. “Durante as próximas horas e dias, o acesso oportuno a informações confiáveis e aos canais de comunicação será fundamental”, afirmou a missão.

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA