A América Latina possui entre 9 e 10 milhões de assinantes de operadoras móveis virtuais (MVNOs). O número é a soma dos quatro principais mercados da região que contam com MVNOs: Colômbia, Chile, México e Brasil. Nos demais países o segmento de operadoras virtuais é praticamente inexistente, com números insignificantes. O levantamento foi feito pelo consultor Joaquin Molina, da Altome, um especialista em MVNOs e que contribuiu com a implementação de vários projetos na América Latina. O número não leva em conta marcas alternativas de grandes operadoras, como a Tuenti, da Telefônica. Ele fará uma apresentação sobre o tema em maiores detalhes durante a segunda edição do Fórum de Operadoras Alternativas, que acontecerá no dia 2 de abril, no WTC, em São Paulo.

Hoje, a Colômbia é o mercado mais desenvolvido em MVNOs na América Latina, respondendo por aproximadamente metade do total de assinantes na região. Lá, ao fim do terceiro trimestre de 2018, dado mais recente disponível, havia 5,125 milhões de assinantes de operadoras móveis virtuais, o que correspondia a 8,1% da base total de linhas móveis em serviço na Colômbia. Trata-se de um patamar próximo àquele verificado em países como França e Itália, onde as MVNOs representam cerca de 10% da base.

Em termos percentuais, o Chile vem em segundo lugar na América Latina, mas bem distante da Colômbia, com 2% da base nas mãos de operadoras virtuais. Em terceiro está o México, com 1,4%. Em quarto vem o Brasil, onde apenas 0,6% da base está com operadoras virtuais – proporção que deve cair após a incorporação da Porto Seguro Conecta pela TIM.

Mas por que o Brasil não deu tão certo quanto a Colômbia até agora? Molina enumera uma série de fatores. Em primeiro lugar, o mercado colombiano foi puxado pelo sucesso de uma MVNO em particular: a Virgin Mobile. Ela entrou no mercado da Colômbia propondo uma quebra de paradigma na cobrança dos serviços de voz. Naquela época, as operadoras tradicionais cobravam por minuto e arredondavam para cima. Ou seja, se a pessoa falasse 61 segundos, pagava por dois minutos. A Virgin entrou no mercado cobrando por segundo de ligação. Em pouco tempo superou 1 milhão de assinantes. Seu sucesso contribuiu para o surgimento de outras MVNOs na Colômbia, impulsionando o segmento como um todo.

Outro ponto favorável às MVNOs na Colômbia é o fato de o preço no atacado ser regulado, o que não acontece no Brasil. O regulador colombiano impõe um teto máximo por minuto e por Megabyte no atacado. Esse preço está atrelado a uma cesta de preços do varejo, ficando entre 23% e 30% abaixo do valor do minuto cobrado do consumidor final, o que garante uma margem operacional razoável para as MVNOs. Nada impede que cada uma negocie separadamente com a operadora dona da rede e consiga preços até menores.

Merece destaque também o Chile, onde embora não haja definição de um preço máximo no atacado, o regulador exige que as operadoras donas de espectro tenham uma oferta pública para o serviço. Novamente, nada impede que MVNOs negociem buscando preços menores.

O Brasil, por sua vez, enfrenta algumas barreiras. A primeira é a tributação para telecom, que ultrapassa 40% em alguns estados. Outra é a cobrança do Fistel pela ativação de cada nova linha. Molina cita ainda o equilíbrio em market share das quatro maiores operadoras brasileiras como uma desvantagem para MVNOs: em mercados onde há um player dominante e outros menores, estes procuram atrair as operadoras virtuais, como uma forma de ganhar participação de mercado.

Apesar de as MVNOs ainda não terem decolado no País, Molina enxerga que há potencial, especialmente na área de Internet das Coisas (IoT), onde começam a surgir alguns players.

Molina fará uma palestra sobre o mercado de MVNOs na América Latina no dia 2 de abril, durante a segunda edição do Fórum de Operadoras, no WTC, em São Paulo. No mesmo evento haverá um painel sobre MVNOs no Brasil, com a participação de diretores da Vivo, da Americanet, da Surf Telecom e da Veek. Também haverá um painel sobre infraestrutura nacional de IoT, com representantes da American Tower, Embratel, Vecto Mobile e WND. A agenda completa do Fórum de Operadoras Alternativas e mais informações sobre o evento estão disponíveis em www.operadorasalternativas.com.br, ou pelo telefone 11-3138-4619, ou pelo email eventos@mobiletime.com.br.