| Mobile Time Latinoamérica | Para Carlos Slim, presidente da América Móvil, o registro de linhas móveis no México enfrenta desafios operacionais e regulatórios, especialmente no segmento pré-pago, devido ao volume de usuários e aos prazos estabelecidos para sua implementação.

Durante sua conferência anual, ele afirmou que o mecanismo avança com mais facilidade entre os clientes pós-pagos, já que os novos contratos incorporam o registro desde a ativação. No entanto, reconheceu que o principal desafio está nas linhas pré-pagas, que concentram grande parte do mercado móvel mexicano.

“Essa questão do registro é algo muito complicado”, afirmou Slim. “Acho que primeiro está crescendo mais facilmente no pós-pago, mas o prazo é curto demais”, acrescentou.

O empresário não respondeu diretamente se a Telcel solicitará uma prorrogação para cumprir o processo, embora tenha sugerido que as autoridades deveriam revisar novamente o modelo para torná-lo mais eficiente tanto para os usuários quanto para as empresas.

“Acho que deveriam estudar novamente o tema, para ver o que o torna mais eficaz para a conveniência do cliente e da autoridade”, comentou.

Slim explicou que o tamanho do mercado móvel mexicano torna complexo o processo de validação e captura de dados, já que há “140 milhões ou mais de clientes”, e destacou que atualmente “milhões de registros estão sendo feitos”.

Usuários seguem no 2G e 5G avança globalmente

O empresário afirmou que a América Móvil mantém implantações de 5G nos 24 países onde opera e conta com cerca de 26 mil torres de telecomunicações. Ele esclareceu que o número corresponde às operações internacionais do grupo, e não apenas ao México. “Nem tudo é 5G, mas já temos muito 5G”, afirmou, em referência ao fato de grande parte da cobertura já utilizar essa tecnologia.

Slim também comentou que ainda existem usuários que continuam utilizando redes 2G por razões econômicas, especialmente em alguns países da América Latina. Como exemplo, mencionou que na Argentina — onde o grupo opera sob a marca Claro — até pouco tempo atrás ainda havia clientes que permaneciam no 2G devido ao custo de trocar de aparelho.

No México, por outro lado, Slim afirmou que a Telcel ainda mantém suporte ao 2G e não desligou completamente a tecnologia, já que ainda há clientes com telefones compatíveis apenas com essa rede. Desconectá-los, explicou, significaria deixá-los sem serviço.

O empresário também criticou a decisão da Telefónica no México de eliminar o suporte aos usuários de 2G — medida concluída em 2021 como parte da estratégia de migração para redes 3G e LTE —, que Slim classificou como “um grande erro”.

Críticas ao custo do espectro e à saída da Telefónica

Slim também abordou a saída da Telefónica de quase todos os mercados da América Latina e considerou “muito triste” o recuo da empresa espanhola, que durante anos foi uma das principais operadoras de telecomunicações da região.

Segundo ele, um dos fatores que afetaram a operação da companhia no México foi o alto custo do espectro radioelétrico. “Infelizmente, o aluguel do espectro no México é muito caro”, afirmou.

O empresário lembrou que a Telefónica devolveu espectro no México e posteriormente firmou acordos operacionais com a AT&T. Também destacou que a companhia já deixou mercados como Argentina, Peru e Chile, mantendo operações principalmente no Brasil, Espanha, Alemanha e Inglaterra.

Slim prevê investimento de US$ 5 bilhões

Durante a conversa, o executivo também ressaltou o nível de investimento realizado pela Telmex e pela Telcel em infraestrutura de telecomunicações. Slim recordou que, desde os primeiros anos de operação, as empresas fizeram investimentos “estratosféricos” para implantar redes, construir torres e ampliar a infraestrutura de fibra óptica.

“Atualmente, o trabalho é colocar cabo e retirar cobre”, afirmou. “Neste ano estamos pensando em eliminar cerca de 400 mil linhas de cobre ou mais”.

Ele acrescentou que essa migração tecnológica implica retirar fisicamente toneladas de cobre da rede legada da Telmex, processo que descreveu como caro e complexo.

Nesse sentido, explicou que boa parte dos investimentos atuais em telecomunicações não está necessariamente ligada à expansão de cobertura, mas à substituição tecnológica de infraestrutura já existente.

Slim também afirmou que conectar novos usuários implica custos elevados, porque a rede de fibra precisa estar implantada e próxima das residências. Ainda assim, garantiu que o grupo espera praticamente concluir a transição para fibra óptica no próximo ano.

Além disso, antecipou que o Grupo Carso investirá cerca de US$ 5 bilhões neste ano em suas diferentes empresas, embora não tenha detalhado projetos ou setores específicos.

Por fim, o empresário revelou que mantém reuniões com outros empresários e com o governo federal para analisar mecanismos que permitam impulsionar investimentos em diferentes estados do país.

 

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