Sem muito alarde, nasceu este ano um grande integrador nacional de redes celulares privativas (RCPs), a Aldak. Ela é fruto da fusão das empresas Alcon, Kofre e TRC Engenharia, a partir de aquisições lideradas pelo fundo de private equity D1 Capital. E há apetite para mais consolidações, pelo que conta Matheus Silva, managing director da Aldak, em conversa exclusiva com Mobile Time.

“Nossa agenda é de crescimento inorgânico e orgânico. Temos funding para avançar nas duas frentes. Temos capital de giro para financiar projetos como o da Cemig e, se houver empresas que ampliam a nossa tese, podemos explorar de maneira oportunística”, explica o executivo.

A Aldak nasce com 15 RCPs 4G em seu portfólio, principalmente nos setores de mineração e petróleo, além do contrato do que será um dos maiores projetos desse tipo no Brasil: a rede 4G da Cemig, orçada em R$ 96 milhões. A empresa espera fechar pelo menos mais quatro contratos de RCPs até o final do ano. E tem conectados às suas redes hoje 150 mil dispositivos, entre rádios de comunicação, smartphones, beacons, smart badges etc.

Aldak: da voz aos dados

A estratégia do D1 Capital para a construção da Aldak consistiu na aquisição de empresas que já tinham longa experiência de atuação na oferta de soluções de comunicação para o mercado de operações de missão crítica, mas que ainda estavam majoritariamente restritas à voz.

Alcon e Kofre já tinham décadas de atuação na prestação de serviços de voz por rádio para os setores de mineração e petróleo, com tecnologias como Tetra e P25, e vinham sendo pressionadas pelos próprios clientes a migrarem para dados. E a TRC Engenharia é forte particularmente em serviços de comunicação no segmento de papel e celulose.

“As três empresas começaram esse movimento de migrar de voz para dados puxadas pelos próprios clientes. A entrega desses serviços para missão crítica é completamente diferente do que é feito em uma rede pública. Então montamos a tese de evolução dessas empresas integrando novas tecnologias”, relata o executivo. Ele lembra também que frequentou as primeiras edições do MPN Forum, evento sobre redes celulares privativas organizado por Mobile Time, o que contribuiu para formular essa estratégia.

Ou seja, o fundo D1 Capital mirou na aquisição e na consolidação de empresas que já tinham uma carteira expressiva de clientes de missão crítica, que conheciam bem as operações desses clientes e que tinham à sua frente a oportunidade de fechar novos contratos vendendo serviços de dados.

Com base nessa estratégia, o fundo adquiriu a Alcon em janeiro de 2024; a Kofre, em abril de 2025; e a TRC Engenharia, em maio deste ano. Juntas, elas estão presentes em 17 das 20 maiores mineradoras do país e nas 10 maiores empresas de óleo & gás, informa o diretor.

“Nossa principal força é entender o que os clientes fazem. Trazemos para a mesa o conhecimento da tecnologia e da operação do cliente”, reforça.

Operação das redes e modelo de negócios

A maioria dos contratos são turnkey e de longo prazo: a Aldak entrega a rede pronta, fim a fim, e pode operá-la durante a vigência do contrato, como um serviço. Mas há flexibilidade para alterar esse modelo, se adequando, por exemplo, à preferência do setor elétrico por Capex, como acontece no caso da RCP da Cemig, em que os ativos pertencem ao cliente.

São montados centros de operação de rede (NOCs) e de serviços (SOCs) junto aos clientes para monitoramento constante da infraestrutura e dos dispositivos de comunicação. E são oferecidas diversas aplicações de IoT, assim como comunicação por voz com push to talk (PTT).

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Exemplo de centro de operações da Aldak (crédito: divulgação)

Se necessário, os projetos podem envolver outras tecnologias para tráfego de dados sem fio, como LoRa e satélites (Starlink).

Sobre a concorrência com as redes públicas por projetos de RCPs, o diretor da Aldak comenta: “as operadoras fazem um ótimo trabalho em redes públicas, mas estas são construídas com premissas de projeto completamente diferentes das que a gente aplica em redes de missão crítica. A gente oferece não apenas segurança, mas uma segregação completa do ambiente público, com disponibilidade muito maior do que as teles conseguem entregar em redes públicas”.

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA