O Grupo Samel, rede hospitalar e operadora de planos de saúde, investiu R$ 12 milhões para criar sua própria inteligência artificial, com o intuito de melhorar o atendimento no pronto-socorro adulto.
Chamado de SAMIA (Samel Inteligência Artificial), o modelo vem entregando melhorias: o tempo de um paciente no local, da entrada à alta, dura em média 30 minutos; na produção de anamnese (coleta de dados feita no atendimento médico) a concordância clínica beira os 100%, o que também proporcionou um aumento de 41,2% na produtividade dos agentes de saúde.
Luiz Nicolau, presidente da Samel, explica que a IA foi parte de um amadurecimento digital pelo qual a rede vem passando. “O foco era e é atuar sobre gargalos da assistência, como alto fluxo de pacientes, fragmentação de informações clínicas, decisões em ambientes críticos e tarefas burocráticas, incluindo o preenchimento de prontuários”, disse em entrevista ao Mobile Time.
Ele destaca que a SAMIA foi baseada em diretrizes previstas por organizações nacionais e internacionais. Em relação ao seu banco de dados, ela é abastecida com informações dos pacientes, históricos e protocolos assistenciais. Atualmente, o grupo tem atuação apenas no Norte do país, mais precisamente em Manaus/AM, onde conta com três hospitais e seis centros médicos, com 1,8 mil funcionários e 150 mil pacientes anuais. Em média, cada unidade atende 7 mil pessoas diariamente.
Em meio a um ambiente de operação crítica, a inteligência artificial cruza dados em tempo real e, a partir deles, alerta sobre eventuais gravidades clínicas ou a necessidade intervenção com medicamentos. Na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), o tempo gasto com tarefas administrativas caiu em média 50%.
Além de atuar no pronto socorro adulto, a SAMIA é usada por outros departamentos do grupo, como a farmácia clínica, a auditoria e o RH. No último, com o modelo, a rotatividade de funcionários foi de 57,6% para 28,6% em cerca de um ano, enquanto a triagem de currículos saiu de alguns minutos para segundos.
Nicolau afirma que a proposta é que a tecnologia apenas ofereça assistência no fluxo de informações e ao longo do atendimento, liberando os funcionários para oferecer um tratamento mais humanizado.


