[Matéria atualizada às 9h05 do dia 27/01/2026 com dados atualizados de receita] A Maxtrack emitiu R$ 40 milhões em notas comerciais com o Itaú BBA. De acordo com o diretor de finanças da empresa, Fábio Bedran, o objetivo deste montante é acelerar o crescimento da empresa em duas frentes: aquisição de matérias-primas para produzir os equipamentos; e aumentar a equipe de pesquisa e desenvolvimento.

O diretor reconhece que há desafios para este ano, como o aumento dos preços das memórias, algo que vem sendo trabalhado com a parceira Qualcomm para baratear o hardware sem tirar a capacidade dele; e o calendário de 2026. Mas a principal barreira para a empresa crescer mais ainda é a falta de capital para investir em suas tecnologias e equipe.

“Para bancar o crescimento, pago o fornecedor e recebo ao longo de 60 meses. Se a Maxtrack não estivesse em uma curva acelerada de crescimento, a busca por receita seria menor, pois estamos buscando ampliar o capital porque estamos em uma curva de crescimento e investindo no próprio negócio, como área, pesquisa e produto”, exemplificou. “O que impede hoje um crescimento ainda maior, de fato, é o capital. Temos uma estrutura pronta de fábrica (em Betim/MG), de atendimento ao cliente, de pós-venda e de tecnologia. Isso em uma empresa que, até então é bootstrapped – nós caminhamos com capital próprio e com financiamento de banco. Se tivéssemos um poder de capital ainda maior, a gente provavelmente teria dobrado a nossa base”.

Operacional e internacional da Maxtrack

Maxtrack

Diretor de finanças da Maxtrack, Fábio Bedran (divulgação)

Atualmente, a companhia tem 1,2 milhão de dispositivos conectados em sua base, dos quais 30 mil são de imagem (computadores veiculares). Para 2026, a expectativa é que os dispositivos de computação veicular cheguem a 45 mil.

A empresa também espera um avanço no mercado mexicano, no qual possui 90 mil equipamentos de telemetria, mas deve chegar a 120 mil até o fim de 2026. Um outro mercado internacional que está no radar da empresa é o Oriente Médio, mas o avanço nesta região será a partir de meados de 2026, após o lançamento do novo computador veicular MTC 1000, uma evolução do MTC 800 que chega em março e terá conexão satelital (NTN) com constelação de baixa órbita (LEO).

Bedran não descarta captar mais montantes fora da companhia (via fundos, por exemplo) para acelerar a internacionalização da Maxtrack para fazer fusões e aquisições que possibilitem aumento de carteira ou expandir para outros mercados no exterior, como os Estados Unidos.

No momento, uma oferta pública (IPO) não está nos planos, apesar de a companhia ter estrutura e governança para tal.

Crescimento em longo prazo

A Maxtrack prevê uma receita de R$ 340 milhões em 2026, um aumento de 26% em relação ao faturamento de R$ 270 milhões no ano passado. Isso será decorrente de um fluxo financeiro mais longo, com contratos que duram até 60 meses (veja mais abaixo), explicou Bedran, em conversa com Mobile Time.

Até 2025 a companhia vinha registrando crescimento forte. No ano passado, a receita de R$ 270 milhões representou um aumento de 40% contra R$ 192 milhões de 2024. Também no ano passado, a empresa obteve receita recorrente de R$ 130 milhões e EBITDA de R$ 70 milhões: “Foi um ano que executamos todo o planejamento que fizemos. Nós atingimos a meta do orçamento”, disse o executivo.

Bedran explica que a Maxtrack saiu da posição de fornecedor de produto e fabricante dos módulos conectados de logística, e que guiou a empresa entre 2000 e 2020. Mas, a partir da crise da Covid-19, a companhia passou a atuar também como um prestador de serviços de logística com tecnologias baseadas em inteligência artificial para entregar análise de dados ao B2B, como consumo de combustível, quantidade de usuários dentro de um ônibus público ou o nível de cansaço de um motorista. Essa mudança resultou em um fluxo de financeiro mais longo com contratos que duram até 60 meses.

Para 2026, afirmou que quase a metade da meta está garantida em contratos, apesar de o ano ser mais curto, com feriados, Copa do Mundo e eleições. Também colabora para o momento da empresa a aprovação do projeto de lei que manteve a isenção tarifária de telecomunicação em equipamentos de IoT.

Imagem principal: Fábrica da Maxtrack em Betim/MG (Crédito: divulgação)

 

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