A inteligência artificial (IA) tem ocupado quase todo o espaço nas discussões sobre inovação tecnológica. No entanto, enquanto o mercado tenta compreender os limites dos algoritmos, uma força silenciosa amadurece nos laboratórios: a computação quântica. O setor de mobilidade está diante de um horizonte em que a IA deixará de ser o destino para se tornar passageira de uma infraestrutura infinitamente mais veloz e, paradoxalmente, mais vulnerável.
Esta mudança de paradigma afeta diretamente o coração da economia móvel, a proteção de dados. Atualmente, a segurança de redes 5G se baseia em protocolos de criptografia que levariam milênios para serem quebrados. Para um processador quântico, esse tempo pode ser reduzido a minutos. O relatório Top Strategic Technology Trends for 2026 do Gartner, anunciado em outubro de 2025, alerta que a preparação precoce é o único diferencial para sobreviver ao “Dia Q” – o momento em que a performance quântica superará os padrões atuais de segurança.
A urgência é quantificável. O Gartner projeta que, até 2028, cerca de 40% das grandes empresas terão adotado arquiteturas de computação híbrida, integrando computação quântica em fluxos críticos, um salto drástico em relação aos 8% registrados em 2025. Além disso, estima-se que, até 2026, 80% das violações de segurança em sistemas de IA serão causadas por falhas de governança ou erros humanos. Diante de gastos globais com tecnologia previstos em US$ 6,08 trilhões para 2026, a soberania de dados móveis dependerá de defesas preemptivas.
O relatório ainda aponta que o impacto atingirá também a experiência do usuário.
À medida que agentes de IA se tornam a interface primária, o volume de buscas em mecanismos tradicionais deve cair 25% até o fim de 2026. Smartphones deixarão de ser apenas janelas para a internet para se tornarem extensões cognitivas que processam contextos globais em tempo real, integrando-se à futura rede 6G sem a latência das redes atuais.
O momento exige menos deslumbramento com a última versão de um chatbot e mais atenção à base tecnológica da próxima década. Líderes de tecnologia precisam dinamizar o debate sobre a transição quântica. Aqueles que ignorarem a iminência desse salto correm o risco de construir castelos de areia em um mundo prestes a se tornar quântico.

