O mercado brasileiro de inteligência artificial tem um tremendo potencial, mas falta ambição, conforme explicou Luis Alberto Nogueira, cofundador e CEO na Segura e olheiro da a16z. Durante o ElevenLabs Première Day nesta quinta-feira, 19, o executivo afirmou que o empreendedor de IA brasileiro precisa de autoconfiança para disputar no mercado global.
“O brasileiro, em geral, vende pouco o que está fazendo. Às vezes, você vê empresas lá fora com um tantinho construído e vendendo uma coisa incrível; vê uns fundadores aqui com coisas incríveis e vendendo muito menos do que deveriam”, disse.
Para Vinicius Furlan, principal at scale-up ventures na Endeavor Brasil, um problema que impede o crescimento das empresas é a falta capital em duas pontas:
- Nos estágios iniciais para um profissional sair de seu emprego e empreender;
- E um investimento mais robusto para a empresa de IA sair das fronteiras do Brasil e disputar no mercado global.
Furlan afirmou, no entanto, que o nível de maturidade dos desenvolvedores brasileiros em IA subiu com companhias avançando como “AI Native” e atingem escala entre 5 e 6, sendo o grau máximo 10. Explicou ainda que essas startups e scale-ups antes captavam apenas valores em seed e pré-seed e agora estão indo para rodadas em estágio de crescimento, como série A.
Alvos dos VCs
Olhando o avanço da IA mais forte em agronegócios, finanças e bancos, Michael Nicklas, managing partner na Valor Capital, afirmou que estão focando mais em empresas que trabalham com dados não estruturados, onde os grandes modelos de linguagem (LLMs) se destacam. Com isso, o representante do fundo norte-americano que acumula 70 investimentos no Brasil desde 2014 vê potencial em startups e scale-ups que atuem na área de crédito e em orquestradores de modelos de IA, uma vez que preveem milhares de LLMs e agentes que demandarão a orquestração.
Nogueira, da Segura e a16z, afirmou que os investidores têm como alvo principal startups que demonstrem ganho de receita (normal, mensal e anual recorrente) e aquelas que tenham retenção de usuários/clientes em sua base. Um exemplo que o executivo trouxe foi de uma startup que recebeu um investimento recente e, apesar de sequer ter registro (CNPJ), “já fatura mais que muitas empresas de pré-série” – o que demonstra a velocidade que soluções de IA são adotadas no mercado.
Já Furlan, da Endeavor, afirmou que as startups de sucesso em inteligência artificial conseguem “descolar o crescimento da receita do aumento no headcount” e, com isso, conseguem aumentar a receita por funcionário – algo que independe do setor e se atuam em B2B ou B2C. Também disse que IA “não é uma onda”, mas um “tsunami” que transformará as companhias, principalmente pela velocidade de adoção da tecnologia e pelo fato de que todo mundo terá a tecnologia por conta do seu fácil acesso via smartphones “no bolso de todo mundo”.
Imagem principal, da esquerda para direita: Vinicius Furlan, Endeavor Brasil; Luis Alberto Nogueira, Segura e a16z; Michael Nicklas, Valor Capital; Leticia Rolim, ElevenLabs (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)

