Apesar da alta adoção da inteligência artificial para assistência, com 82% da população já usando algum recurso dessa tecnologia, a migração para um modelo mais autônomo com agentes pode demorar a engrenar. De acordo com estudo feito pela Ipsos e divulgado pelo Google nesta semana, apenas 13% dos brasileiros delegariam a execução final de uma tarefa para a IA.
Realizado em janeiro com 2,7 mil usuários, a pesquisa revelou ainda que:
- 35% dizem que usam IA, mas a decisão final precisa ser do usuário;
- 26% usam apenas para tarefas simples e repetitivas;
- 18% não sabem se delegam para a IA por dúvidas de segurança;
- 8% provavelmente não usariam, pois preferem seus hábitos atuais.
Além disso, mais de um terço (37%) aceitaria delegar que o agente de comércio fizesse uma compra em seu nome de até R$ 200.
Para Thaís Melendez, gerente de startups no Google Campus e responsável pela pesquisa, o resultado mostra que a grande maioria ainda não aceita o risco de delegar uma compra para IA, apesar dessa tecnologia já conquistar o cotidiano do brasileiro. Mas a decisão final ainda é do humano.
Jornada do Google para o B2A

Thaís Melendez, gerente de startups no Google Campus e responsável pela pesquisa e o conceito do B2A (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)
A executiva lembra que o modelo de transição de compras de consumidor para empresa (B2C) para o formato de tecnologia de compras entre negócios e agentes, o business to agent (B2A), ainda está no começo e em evolução. Explicou que o consumidor que aceita é principalmente o mais jovem (Geração Z) e da classe socioeconômica A (com maior apetite ao risco).
Melendez relatou que a chance a ser aceito neste começo e para esse público é apenas em operações de baixo risco, como reservar uma mesa em um restaurante que precisa de um sinal ou as compras de mercado da semana. Ou seja, algo que está na “jornada da rotina do consumidor”. Outras decisões mais críticas ou de alto envolvimento humano, como comprar um carro ou decidir qual curso fazer na faculdade, a rejeição pela delegação à IA é quase total.
“O avanço para compra automatizada, como um todo, ainda tem um caminho a ser percorrido que vai depender da arquitetura de confiança (suporte humano; transparência com links e fontes de informação; botão de cancelamento) e de toda essa infraestrutura”, disse. “As próprias marcas ainda precisam se preparar para ter o produto bem catalogado. Só assim a decisão poderá ser feita de forma correta pelo consumidor”, completou.
Por indústria, a pesquisa demonstra que o setor de viagens é o mais atraente para aceitação de delegação de tarefas para a IA, pois tem múltiplas etapas exigidas no planejamento, como comprar passagens, reservar hotel, fazer o roteiro e reservar restaurantes, por exemplo.

