[Atualizado às 11h49 com mais informações de estudos da Cisco] A utilização de redes de comunicação sem inteligência artificial é algo do passado, afirmou o vice-presidente da Cisco para a América Latina, Laércio Albuquerque. Durante o Cisco Connect nesta quarta-feira, 1, o executivo da fornecedora disse que com o volume de tráfego de dados crescente não será possível usar soluções antigas que não tenham IA embarcada.
Devido ao movimento puxado justamente pela IA chegando no cotidiano das pessoas e das corporações, Albuquerque falou que a rede “é o centro de tudo aquilo que precisamos entregar”. Isso combinado com segurança, em um movimento chamado pelo VP de o casamento do século.
“A segurança precisa estar embutida dentro da rede. Essa é a maior magia por trás das cortinas. Rede sem IA é coisa do passado. A Cisco traz hoje o casamento mais esperado do século, a rede com a cibersegurança como uma solução. Os dois se tornam um. Isso é o alicerce da IA que vocês estão construindo”, disse.
Corrobora com essa visão um estudo da Cisco com 1 mil líderes de tecnologia em 19 países e 21 setores, inclusive do Brasil. Nele, 59% das organizações no país esperam que as cargas de trabalho aumentem os requisitos de conectividade e confiabilidade.
Além disso, a totalidade dos respondentes dizem que as redes sem fio são essenciais para viabilizar a IA. Igualmente, 100% dos executivos brasileiros dizem que a cibersegurança é fundamental para ter uma infraestrutura preparada para a IA.
Porém, há desafios.
Débito técnico, segurança e profissionais em IA
Ricardo Mucci, presidente da Cisco no Brasil, afirmou que existe atualmente um “débito técnico”, uma vez que 53% das organizações afirmam que não possuem infraestrutura necessária para colher os resultados com IA. Para Ramon Viñal, diretor de engenharia da Cisco América Latina, as empresas focaram nos casos de uso e definição de IA, mas ao avançarem, eles estão encontrando cinco barreiras para ter a experiência e total benefício da IA:
- Conhecimento,
- Cultura,
- Infraestrutura,
- Segurança
- Dados.
“Com segurança, a Cisco tem muito claro que não adianta fazer uma camada diferente de ‘segurança e rede’. “As decisões de segurança devem ser tomadas na ponta da rede, mais perto da IA. A aproximação da arquitetura de segurança precisa ser entrelaçada com a rede”, disse Viñal.
Em outro estudo voltado à segurança, o State of AI Security 2026, a companhia revelou também um desafio na segurança: embora 85% das empresas estejam testando IA, apenas 5% delas colocam soluções em produção com as devidas camadas de segurança. Para Flávio Correa, líder de engenharia de segurança da Cisco América Latina, a correlação entre IA e segurança já é realidade.
Correa afirmou que os cibercriminosos já usam a IA para automatizar ataques em escala, criar deep fakes para driblar sistemas de identidade e voice phishing para capturar dados de vítimas. Esse movimentado foi notado por outro estudo da companhia, o Cisco Talos, que revela:
- 40% das 100 principais vulnerabilidades alvo impactaram sistema em fim de vida útil;
- 23% dos ataques impactaram dispositivos de infraestrutura de rede (firewalls e switches, por exemplo), sendo que 32% têm pelo menos dez anos;
- 30% de ataques por MFA spray tinham como alvo aplicações de IAM.
E em um terceiro estudo da Cisco com 600 executivos em seis países, 67% dos CEOs disseram que definem visão e direcionamento do uso da IA nas organizações, algo puxado pelas mudanças do mercado e pela necessidade de resolver problemas. Mais da metade desses líderes (55%) ainda esperam que seus funcionários trabalhem com agentes de IA nos próximos 24 meses, mas veem resistências, como compreensão técnica de IA (72%) e supervisão e auditoria (65%).
Movimentos com a IA
Com a adoção da IA, em especial a IA agêntica nas organizações, a Cisco enxerga um movimento de reestruturação de muitas empresas, colocando parte de suas soluções on premisses e on edge e com isso diminuem suas cargas de trabalho na nuvem.
Mucci explicou que esse movimento acontece por razões como a reavaliação do custo total de propriedade (TCO) com o cloud, o uso exponencial de tokens, que gera consumo de energia e até a soberania de dados – em especial com governos e grandes bancos.
Ao mesmo tempo, o country manager explicou que os grandes data centers também têm notado o débito técnico para suportar o grande movimento de tráfego de dados e estão atualizando suas estruturas de backbone para suportar soluções robustas de rede, capazes de trafegar até 800 GB.
Imagem principal: Laércio Albuquerque, VP Latam da Cisco (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)

