O Comitê de Supervisão da Meta apontou falhas recorrentes nas atitudes da empresa para garantir isonomia durante as Eleições brasileiras e afirmou que a plataforma precisa transformar as regras de moderação de conteúdo mais transparentes e consistentes neste período. O comitê é um órgão financiado pela própria empresa, mas com autonomia de decisão, e que reúne especialistas de diferentes países.
Em nota em seu site, os copresidentes do Comitê de Supervisão também comentaram sobre a conta No Kings, do Instagram, além de outras votações previstas no mundo.
“O Comitê de Supervisão está preocupado com as falhas recorrentes na aplicação das regras da Meta voltadas à integridade eleitoral. Da remoção de contas de ativistas políticos durante protestos nos Estados Unidos, antes das eleições de meio de mandato, às restrições técnicas que afetaram as contas de um candidato à Presidência no Brasil [no caso, o presidente Lula], levando a acusações de interferência eleitoral, está claro que a Meta precisa fazer mais para garantir que suas práticas de aplicação de regras durante as eleições sejam transparentes e consistentes, e que a manifestação política seja protegida, em vez de reprimida”, escreveu.
A entidade alertou que em períodos de maior tensão política, como no caso das eleições, as falhas de moderação de conteúdo da holding de Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp costumam se manifestar de duas maneiras opostas: “a aplicação excessiva das regras, que suprime manifestações políticas, e a aplicação insuficiente, que compromete a integridade eleitoral.”
No caso das contas de Lula, o Comitê de Supervisão da Meta afirma que houve aplicação excessiva das políticas antifraudes, o que representa uma “falha que deveria ter sido encaminhada a uma equipe interna de especialistas em análise de conteúdo”.
O comitê observou e destacou em diferentes casos envolvendo eleições regionais no mundo que a remoção indevida de manifestações políticas antes de uma votação ameaça comprometer a integridade eleitoral e “gerar um efeito inibidor irreversível sobre a participação política”. Foi o que ocorreu nas eleições regionais no Curdistão iraquiano e em protestos contra governos no Irã, por exemplo.
A entidade pede que as ferramentas automatizadas de aplicação de regras levem em conta o idioma, as nuances e o contexto político para “proteger melhor as manifestações políticas que não incitem a violência”.
“Em 2025, a Meta se comprometeu a permitir mais manifestações e cometer menos erros durante as eleições e os debates políticos. Como demonstram os acontecimentos recentes, a empresa ainda tem muito trabalho a fazer para cumprir essa promessa”, acrescentou.
TSE e Meta

Reunião do TSE com representantes de Meta e das campanhas de Lula e Bolsonaro. Crédito: Foto: Luiz Roberto/TSE
O TSE convocou uma reunião com representantes da Meta e das campanhas de Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, que aconteceu no fim do dia desta terça-feira, 20. A companhia afirmou que os conteúdos são tratados de forma igual, mas admitiu que há medidas ainda em implementação, informações que estão sendo levantadas e limitações técnicas para executar uma das ordens do ministro do TSE, Marco Aurélio Bellizze. A empresa nega que tenha agido de forma negligente às imposições da corte e pede para que a multa de R$ 1 milhão de reais não seja aplicada.
A Meta tinha 24 horas para apresentar as melhorias feitas em suas plataformas exigidas por Bellizze ou deveria pagar multa diária, que passou de R$ 500 mil para R$ 1 milhão.
Em nota pública, a Meta reconheceu que existe a possibilidade de bloqueios indevidos de anunciantes autorizados e que vai trabalhar para sanar os problemas.
A campanha do presidente Lula fez uma denúncia que afirma que existe uma série de falhas, inclusive a distribuição seletiva de conteúdos políticos do seu espectro político.
Imagem principal: Página da nota do Conselho de Supervisão. Crédito: divulgação.

