Lançada em 2007 pela Apple, a primeira geração do iPhone foi um divisor de águas para o mercado de smartphones. O modelo determinou uma nova era desses aparelhos, que passariam a operar como um computador de mão com tela touch. A novidade atraiu muitas pessoas a ponto de gerar filas enormes nos Estados Unidos, no dia 29 de junho daquele ano, data em que ele chegou às lojas da Apple. Não levou muito tempo para que o aparelho se tornasse uma febre mundial.

No Brasil, no entanto, ele não chegou pelas “mãos” da fabricante. Quem desejava ter o aparelho, dependia de algum conhecido que fosse ao exterior ou de algum importador paralelo — chamado de mercado cinza — que não oferecia qualquer garantia. As vendas só começaram oficialmente no país, a partir de setembro de 2008, com a chegada do iPhone 3G. Apesar desse intervalo de um ano, o iPhone já tinha um número considerável de usuários no Brasil antes do lançamento. Na época, segundo a consultoria Predict, mais da metade dos acessos à internet pelo celular eram pelo aparelho, o que chegava a 196 mil unidades.

Só que muito antes de Steve Jobs anunciar o aparelho, em 2002, a marca brasileira Gradiente Eletrônica entrou com pedido de registro do seu smartphone, o G Gradiente Iphone. No entanto, apenas em janeiro de 2008, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) aceitou a solicitação de registro da marca, cerca de oito meses antes do iPhone 3G começar a ser vendido no país – o que daria início a uma disputa judicial que se arrasta até hoje.

G Gradiente Iphone

Modelo Gradiente Iphone, lançado em 2012. Foto: divulgação/Gradiente.

Briga pelo nome iPhone entre Gradiente e Apple

O entrave entre as marcas começou juridicamente em 2013, após o lançamento do smartphone da Gradiente. Além disso, naquele ano, o INPI negou o pedido de registro da empresa estadunidense. De um lado, a empresa brasileira afirma que registrou o nome antes da Apple chegar ao Brasil, de outro, a companhia criada por Jobs contesta a validade do uso e até do registro, pois já era reconhecida mundialmente, por sua linha “i”.

As primeiras decisões saíram apenas a partir de 2024, quando o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) atribuiu a empresa estadunidense como proprietária do nome. Em maio de 2025, a vitória foi da marca brasileira no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) por cinco votos a zero. No entanto, a decisão não colocou fim à disputa. Desde 2023, há um processo tramitando no Superior Tribunal Federal (STF), que chegou a ter maioria favorável à Apple, mas teve solicitação para ser votado em plenário físico pelo ministro Dias Toffoli. Algo que não aconteceu até hoje.

Ilustração produzida por Mobile Time com IA.

 

*********************************

Receba gratuitamente a newsletter do Mobile Time e fique bem informado sobre tecnologia móvel e negócios. Cadastre-se aqui!

E siga o canal do Mobile Time no WhatsApp!