Há 30 anos, o navegador Opera chegava ao mercado. Sua história, porém, começou no ano de 1995, de forma meio despretensiosa. Na época, a empresa Telenor, uma estatal de telecomunicações da Noruega, resolveu desenvolver um programa de intranet. O projeto, criado por Jon Stephenson Von Tetzchner e Geir Ivarsoy, foi um sucesso e, diante de tamanho êxito, não demorou muito para que ele se tornasse uma companhia dedicada totalmente ao desenvolvimento de navegadores para uso comercial. 

A sua chegada ao mercado foi em 1996, com o seu homônimo software, o Opera 2.1, disponível em disquete para o Windows 95. A plataforma tinha o ideal de ser um shareware, ou seja, um programa que podia ser copiado e utilizado, mas que em algum momento o acesso começaria a ser cobrado. Entre suas principais qualidades estava o fato de rodar bem em sistemas com recursos mais limitados.

O lançamento mostrava já a essência da empresa: encontrar maneiras de inovar, a ponto de ditar os padrões para o universo dos navegadores.

Dos dispositivos móveis às abas

Dois anos após sua chegada ao mercado, a Opera resolveu mergulhar em um mercado ainda extremamente novo: o de dispositivos móveis, com o lançamento do Opera Mobile. O navegador era compatível com os sistemas Symbian e PDAs, além de ter sido um dos primeiros a ter o cascading style sheets (CSS), que adapta conteúdos da internet para a versão mobile. A iniciativa foi disruptiva no setor de navegadores. A primeira de várias.

A sua nova versão, o Opera Mini (2005) que, até a criação do Google Chrome, era muito utilizada em telefones Android, foi um fenômeno mundial. A ferramenta tinha um rápido carregamento das páginas, mesmo quando a conexão não tinha tanta qualidade, graças à sua tecnologia de compressão de dados.

Outro movimento inovador aconteceu no ano de 2001, quando o Internet Explorer dominava o mercado. Naquele período, a Opera lançou sua própria plataforma, com serviços de blog, e-mail, álbum, entre outros, o My Opera. No ano seguinte, a empresa criou o primeiro navegador com abas da história, embora há quem aponte que o Netcaptor teria sido o pioneiro, em 1997, e o Phoenix como quem popularizou a opção.

Com grandes acertos, a Opera cresceu e, em 2004, suas ações começaram a ser negociadas na Bolsa de Valores de Oslo. O período também ficou marcado pela parceria com o Google, que virou o buscador oficial dos navegadores da companhia, removendo os anúncios. Só que a sua escalada de sucesso trouxe um preço: altas expectativas.

Mais de dez anos depois, em 2015, a Opera se viu no seu pior momento financeiro, ao não cumprir as projeções de lucro e decepcionar seus investidores. Diante disso, em 2016, ela passou por uma reestruturação e foi comprada por um consórcio chinês por US$ 600 milhões (R$ 3,15 bilhões). 

Saída para a crise

Na prática, a dinâmica da empresa não mudou muito, embora algumas divisões tenham sido vendidas, como a Opera TV e o braço de VPN. No ano seguinte, ela voltou a permitir anunciantes no Opera Ads, para garantir uma renda a mais, além do Google.

Outra solução foi diversificar seus produtos, apostando em diferentes plataformas para atender públicos específicos. Um exemplo disso é o Opera GX, direcionado ao público gamer, conhecido por otimizar o uso de memória RAM, da CPU e da rede do computador. Em 2025, ele foi incrementado com recursos de tela dividida dentro de uma única janela e perfil de streaming para proteção de dados sensíveis. O Opera Air também ilustra essa movimentação, com uma proposta mais mindfulness, que inclui exercícios de respiração guiada e sons relaxantes.

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Interface do Opera Air, navegador criado para minimizar os impactos da web na saúde mental. Imagem: divulgação/Opera.

Para não ficar de fora das novas tendências, a Opera colocou a inteligência artificial como um pilar central, a ponto de estar integrada em todos os seus navegadores de forma gratuita, inclusive nos móveis.

Em uma versão mais premium, o Opera Neon, a navegação tem o auxílio de uma inteligência artificial agêntica, que pode preencher formulários, comparar dados, além de organizar sites, documentos, conversas com IA e pesquisas, o que torna a experiência do usuário mais fluida. 

Outra aposta foi entrar para o mercado de carteira virtual, com o Opera Wallet, uma função dos navegadores da empresa voltadas para o uso de stablecoins e criptomoedas, e o MiniPay, que funciona no navegador móvel e tem seu próprio aplicativo.

Celebrações

No ano em que completa 30 anos no mercado, a empresa lançou o Web Rewind, uma espécie de viagem no tempo da internet, em que você pode atravessar vários marcos importantes da história na web. A ação encoraja os usuários a enviarem contribuições com suas memórias registradas nesse período, com direito à premiação e viagem à Suíça. A torcida de Juliana Psaros, diretora regional de Opera no Brasil, é para que algum brasileiro esteja entre os vencedores. “Tenho muita fé na nossa criatividade”, brinca, em conversa com Mobile Time.

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Web Rewind, campanha da Opera em homenagem aos seus 30 anos. Imagem: divulgação/Opera.

Ao analisar a jornada de décadas do Opera, a executiva destaca que a empresa “sempre teve a capacidade de continuar inovando e determinando o que é padrão para o mercado”. 

Agora, ela deseja expandir sua base de usuários no país. Segundo Psaros, o público brasileiro tem sido bastante engajado. “O nosso contato com os brasileiros, inclusive com campanhas exclusivas, está nos nossos planos. Queremos nos aproximar dos clientes daqui”, afirma. 

Imagem: Logo da Opera de 2015. Opera Software AS/Wikimedia Commons

 

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