Houve um tempo em que o Bluetooth não era utilizado apenas para se conectar a outros acessórios, como fones e smartwatches. Antes da era dos smartphones, a tecnologia era quase uma rede social offline, pela qual usuários podiam trocar informações, imagens e músicas, desde que estivessem a poucos metros de distância.
O Bluetooth foi criado em 1998 com o intuito de substituir os cabos no envio e recebimento de arquivos entre dispositivos eletrônicos. A responsável pela tecnologia foi a Ericsson, que criou um consórcio com empresas de informática e de eletrônica, chamado Bluetooth SIG (Special Interest Group). O nome homenageia o rei dinamarquês do século X, Harald I, conhecido por Harald Bluetooth, que unificou a Dinamarca e a Noruega.
Logo depois de sua criação, a novidade chegou ao mercado e veio em um momento em que o infravermelho era utilizado para troca de informações, mas, diferentemente dele, o Bluetooth não exigia o alinhamento entre dispositivos, já que seu funcionamento tinha como base a radiofrequência de 2,4 GHz. Outra vantagem era que a tecnologia exigia menos bateria, além de ter um custo inferior e poder ser utilizada para se comunicar.
Em um período em que a internet móvel não era lá essas coisas, os aplicativos de mensageria passavam longe de existir e o SMS não permitia anexar imagens, o Bluetooth chegou como um aliado e se tornou uma rede social offline. Enquanto as versões da tecnologia avançavam ao longo dos anos 2000, muita gente a aproveitava para interagir com outras pessoas. Era possível localizar outros dispositivos por perto (bem perto) e trocar “figurinhas”, como fotos, músicas, vídeos e até contatos. Afinal, era uma tecnologia democrática, com muitos aparelhos com acesso.
Bluetooth para paquerar
Na onda desse uso, a Nokia lançou, em 2005, o Nokia Sensor. O software, disponível em alguns aparelhos da marca, alertava usuários compatíveis quando próximos (entre 10 e 20 metros), exibindo o perfil — chamado de “folio” — por meio do Bluetooth e ainda viabilizava a troca de mensagens. No perfil era possível incluir foto, nome e uma breve descrição, além disso, constava o número de visitas que o folio recebeu e comentários de outros usuários. Caso você não gostasse de um colega da rede, tudo bem, o programa permitia bloquear o aparelho.
Também nesse período surgiu o bluejacking, um trocadilho com o próprio Bluetooth e hijacking (sequestro em inglês). A prática consistia no envio anônimo de um card, em que era possível escrever uma mensagem curta, sem depender da autorização do receptor. Uns aproveitavam o momento para paquerar, outros para dar aquele toque em outro passageiro no transporte público, que estava falando alto demais.
Com as melhorias na internet móvel e o surgimento dos smartphones, o Bluetooth perdeu esse espaço, embora ainda seja útil para locais sem conexão ou onde o acesso às redes sociais é proibido.


