A 99 anunciou oficialmente o encerramento do 99Moto, seu serviço de transporte individual de passageiros por motocicletas. O comunicado, realizado em conjunto com a Prefeitura de São Paulo, marca o desfecho de um processo que passou por diversas idas e vindas no campo jurídico. A empresa alega que optou por focar em seus serviços de entrega e delivery com os motoboys.

Se a 99 recuou, a Uber não.

Em resposta a Mobile Time, a Uber informou que diferentemente da rival “iniciou o processo de credenciamento junto à Prefeitura de São Paulo para a operação de Uber Moto e aguarda o retorno do poder municipal sobre o andamento do pleito”.

A Uber reforçou que defende a importância do serviço de corridas com motociclistas como uma “alternativa acessível e eficiente” para os deslocamentos na capital paulista, algo que segue o exemplo já “consolidado em diversas outras metrópoles brasileiras onde o serviço de motoapp opera”.

99 e prefeitura

A 99 foi procurada por Mobile Time para entender os próximos passos, impactos da retirada do serviço e se, financeiramente, 99Entrega e 99Food cobrem os ganhos que os motoboys teriam com as corridas do 99Moto, mas a empresa não respondeu a tempo.

Em comunicado divulgado pela prefeitura paulistana na última quarta-feira, 1, o prefeito Ricardo Nunes (MDB/SP) celebrou o movimento da empresa de mobilidade urbana, uma vez que há receios de excessos de acidentes com esse modal. Por sua vez, a 99 afirmou que está retomando o diálogo e está aberta a um trabalho em conjunto com a administração municipal.

Medidas

Como parte desse novo momento que abandona uma série de disputas na Justiça e troca de farpas entre os dois lados, a 99 apresentou uma série de propostas de trabalho junto com a capital:

  • Implementar pontos de apoio aos motociclistas, sendo um deles a ser inaugurado em 2026;
  • Promover cursos e ações de formação em segurança viária, em parceria com os órgãos de São Paulo;
  • Escrever uma Carta de Compromisso em Segurança Viária com dados de compartilhamento de viagens, condutores e padrões de velocidade para ajudar a administração pública no planejamento e fiscalização.

A companhia ainda confirmou que produzirá um mapa de risco de acidentes. Com alertas automáticos e personalizados, a funcionalidade mostrará áreas de maior ocorrência de sinistros, cruzamentos críticos, regiões com grande circulação de pedestres, proximidade de escolas e hospitais.

A 99 também confirmou a chegada do sistema de avaliação de motociclistas. O sistema é baseado na captura de dados do condutor por telemetria, como frenagem, comportamento em curvas e aceleração, e está em uso no Rio de Janeiro desde o ano passado.

Porém, diferentemente da proposta original, o sistema prevê a exclusão dos motoboys que não atendam aos requisitos de segurança. Em contrapartida, o sistema poderá ter incentivo e bonificação aos profissionais que apresentarem bom desempenho no trânsito.

A novela prefeitura X serviços de transporte por moto

Em dezembro, a Câmara dos Vereadores de São Paulo aprovou um projeto de lei que regulamenta o serviço de transporte de passageiros em moto por aplicativo. O PL exigia seguro funerário, proibição de bônus por viagem; proibição de circular na área de rodízio de veículos e todo o centro expandido; vedação de conduzir em dias de chuva forte, vendaval e nas vias de trânsito rápido (marginais e o corredor Norte-Sul); cadastro prévio de motoristas na prefeitura; entre outras medidas.

O prefeito Ricardo Nunes sancionou a lei, mas as empresas decidiram não retomar o serviço, com receio das multas caso não se enquadrassem à lei. Essas multas poderiam ir de R$ 1,4 mil a R$ 1,5 milhão. A Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia) criticou a legislação e a chamou de “proibitiva”.

Imagem principal: Ilustração produzida por Mobile Time com IA.

 

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