O percentual de brasileiros que usam inteligência artificial subiu de 60% para 77%, segundo a pesquisa Bain Consumer Pulse 2026, da consultoria Bain & Company, realizada globalmente, com 8 mil respondentes, sendo 2 mil só do Brasil. Segundo Ricardo De Carli, sócio e líder de práticas e bens de consumo da consultoria, o engajamento da tecnologia é tão significativo que o país já passou os Estados Unidos. Entre as ferramentas mais usadas estão ChatGPT (79%), Gemini (65%) e MetaAI (46%), respectivamente, para fins como pesquisas em geral (65%), estudos (52%), busca por avaliações de produtos ou serviços (43%), além de notícias (40%) e apoio ao cliente (37%).
Durante a apresentação do levantamento, realizada nesta quinta-feira, 2, De Carli afirmou que esse avanço exigirá que as marcas se posicionem bem na internet para aparecerem nas plataformas de IA. “Se antes o vendedor precisava se preocupar com o SEO para aparecer nos sites de busca, agora precisarão direcionar esforços para o GEO. Será uma espécie de ‘joguinho de tributos’, já que serão consideradas todas as informações disponíveis na web sobre a loja”, explicou.
Para ele, as empresas precisarão descrever mais detalhes sobre seus produtos, como material, impacto ambiental e benefícios, para que consigam aparecer nos resultados da pesquisa feita por IA. O executivo acredita que essa disrupção acontecerá logo, citando outra tendência, a da IA agêntica. Uma pesquisa da Bain & Company, feita no último ano, revelou que 60% dos consumidores estão abertos a utilizá-la em diversos tipos de compra, especialmente de eletrodomésticos e eletroeletrônicos (66%), casa e decoração (63%) e beleza e cuidados pessoais (63%).
Os respondentes também citaram quais funções seriam importantes que um assistente de compras tivesse: capacidade de comparação de preço e frete (58%), leitura de imagens para encontrar produtos (52%), exibir ofertas personalizadas (50%), oferecer suporte de uso do produto (47%), entre outros. Além disso, a maioria deseja que a função fique disponível dentro da própria ferramenta de IA generativa (49%), outros 44% gostariam que a opção estivesse disponível no navegador e 40% querem que ela seja oferecida no próprio site ou aplicativo da marca.

Gráfico: Consumer Pulse 2026/Bain & Company.
Compras online
O comércio eletrônico registrou avanço no comparativo anual. Entre os destaques estão as aquisições de eletrônicos, com quase metade (48%) das compras sendo realizadas online, vestuário (39%) e produtos de beleza (37%). Em linhas gerais, plataformas digitais são escolhidas na maioria dos casos para compras de bens duráveis, enquanto lojas físicas são mais visitadas para a aquisição de produtos perecíveis.
Entre os tipos de comércio online, os marketplaces concentram a maior parte das compras na internet, especialmente os eletrônicos, com 37%. A pesquisa chama a atenção para a adesão dos consumidores a aquisições pelas redes sociais e WhatsApp, que somados representam entre 10% e 20% do total.
Estafa digital
Na América Latina, os brasileiros são os que passam mais tempo online, mas começam a apresentar sintomas de fadiga digital. De acordo com o levantamento, reduzir o tempo em frente às telas é um dos principais desejos dos consumidores, que apontam a jornada como geradora de ansiedade e distração.
O desgaste também tem causado mudanças no perfil do consumidor que, de acordo com a Bain & Company, está mais imediatista, o que motiva as pessoas a buscarem por soluções de hiperconveniência, como crédito, frete e cashback rápidos.
“O consumidor está estressado e prioriza soluções mais rápidas e marcas que ofereçam jornadas compatíveis ao que ele deseja. E a IA pode ser uma aliada nisso, porque está em contato direto com o usuário”, observou o sócio da consultoria.
Foto: Ricardo De Carli, sócio e líder de práticas e bens de consumo da Bein & Company. Karina Merli/Mobile Time


