O acordo com o PicPay (Android, iOS) é estritamente comercial, diferente daquele lavrado com o C6 Bank, o primeiro parceiro da operadora de serviços financeiros, que envolvia ações do banco digital. É como explica Alberto Griselli, CEO da TIM, durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 6, sobre os resultados financeiros do primeiro trimestre da operadora. A parceria foi desfeita oficialmente em fevereiro de 2025 por divergências contratuais. Já com o PicPay, o acordo é de “mão-dupla”, com ofertas de serviços de ambas as partes e não envolve participação acionária.
Griselli explicou que este é um acordo diferente por estarem em momentos bem diferentes daquele de seis anos atrás. “Naquela época, as fintechs tinham uma dinâmica bem diferente da atual e agora o mercado está bem mais maduro”, explicou.
O segundo ponto salientado pelo executivo é a natureza do parceiro. “Na época, o C6 era um banco pequeno, quase uma startup. Nós estávamos acelerando o banco – e era esse o objetivo – mas ele não tinha envergadura, era pequeno. Com o PicPay, estamos em um acordo entre líderes. O PicPay tem 67 milhões de clientes. É uma empresa como a nossa, listada na bolsa”, apontou as diferenças.
O objetivo é similar ao acordo feito com o parceiro anterior: oferecer uma proposta de valor melhor para os clientes de PicPay e TIM e fazer cross-selling dos dois lados, com um custo de aquisição do cliente menor e gerar comissionamento ou receita direta do cliente.
Oi Soluções
A TIM confirmou o interesse no ativo da Oi Soluções em busca de novos mercados para sua vertical B2B. A operadora tem até 20 de maio para se habilitar no processo do certame. A ideia é que ela possa avaliar com mais propriedade os contratos, seus prazos para, aí, então, entender se o valor de avaliação, de R$ 1,4 bilhão, vale a pena. Vale dizer que a empresa já havia sinalizado interesse em novembro do ano passado.
“Uma vez a TIM habilitada, podemos entender os números da Oi e aí, sim, chegar num valor de R$ 1,4 bilhão é a expectativa que eles têm, mas vamos lembrar que no último leilão eles não conseguiram chegar no valor mínimo”, disse Andrea Viegas, CFO da TIM.
Para Viegas, ainda é incerto dizer se o valor pedido é alto porque a TIM ainda precisa entrar no Data Room e entender os contratos que lá estão, suas condições e prazos de investimento.
“B2B é um eixo de crescimento para a TIM” disse Griselli”, por isso o interesse pelos ativos da Oi Soluções. “Ainda queremos crescer e temos plano orgânico e inorgânico, inclusive com a aquisição da V8 Tech. Por definição, olhamos todas as oportunidades de crescimento que existem no mercado”, completou.
Vale dizer, a receita do B2B IoT totalizou R$ 1,08 bilhão no 1T26, com 36% de contribuição do setor agrícola, 40% das iniciativas de logística e 19% dos projetos voltados para o setor de Utilities. Trata-se de um crescimento de 30% em comparação com o 1T25. O agronegócio chegou a cerca de 27,3 milhões de hectares conectados com 4G; o setor de logística, 11,1 mil km cobertos por rodovias, aumento de 86% ano contra ano; e 479 mil pontos de iluminação inteligentes vendidos, um aumento de 32% a/a.
Leilão de 700 MHz
Os executivos da TIM também comentaram sobre o leilão de 700 MHz realizado na última segunda-feira, 4. Griselli lembrou que as grandes operadoras, por meio da Conexis, entraram com uma ação na justiça para impedir o certame – assim como a Telcomp.
De acordo com Mário Girasole, vice-presidente de Assuntos Regulatórios e Institucionais da operadora, a discussão na Justiça continuará mesmo com o certame já encerrado.
“O leilão pressupõe competição que, efetivamente, não houve desde o início. E vamos continuar discutindo isso na justiça. Ao nosso ver, do ponto de vista regulatório, não foi uma iniciativa bem-feita”, complementou.
Acordo da TIM com Axia Brasil e Vale
Outra parceria comentada pela TIM foi a selada com a Axia Brasil (antiga Eletrobras) para levar 4G e 5G para 20 usinas hidrelétricas. A empresa estima que este é um contrato muito importante por se tratar do “backbone de energia do Brasil”, resumiu Fábio Costa, vice-presidente de B2B da operadora. O executivo explicou que o primeiro piloto, a usina de Itumbiara, é um experimento que oferece “o que tem de mais moderno na questão de digitalização de produção de energia”.
“O Brasil está tentando ou buscando se posicionar no mundo como uma alternativa para processamento de inteligência artificial em centros de dados. Se você não tiver um fornecimento de energia no país à altura para alimentar esses data centers, você está fora do jogo. Então, eu diria que a iniciativa da TIM junto com a Axia, que é esse backbone hoje de energia no país, é a fundação para a gente poder colocar o Brasil no mapa do processamento de dados para IA no globo. Obviamente que tem várias outras questões como o preço de chips, incentivo à construção de data centers, que é muito importante, e assim por diante”, resumiu Costa.
O executivo aponta que a digitalização, com o que há de mais moderno em IoT, viabilizará uma energia mais barata e mais eficiente para o país. “Não é somente um deal com a Axia, mas uma plataforma que vai posicionar o Brasil como um destino competitivo do ponto de vista de energia para quem quer construir data center”, concluiu.
Sobre a Vale, outro gigante brasileiro, dessa vez em minério, o VP de B2B também comentou que novos contratos estão em vias de serem assinados. “Estamos modernizando os principais polos de produção no Brasil.”

