A Anatel derrubou 54 mil sites de bets que atuam no Brasil e o governo federal notificou 37 fintechs pela suspeita de movimentarem dinheiro de apostas de quotas fixas ilegais sem autorização de atuação no país. De acordo com o site da Folha de S. Paulo, as fintechs movimentaram recursos de 160 bets irregulares e agora precisam bloqueá-las e impedir suas operações. Caso contrário, deverão responder solidariamente pelas irregularidades das casas de apostas e podem ser multadas de acordo com o volume movimentado.

O Ministério da Fazenda, responsável pelas medidas, deu um prazo até agosto para adequação das fintechs.

No caso das bets, elas precisam passar pelo processo burocrático para se regularizarem. Para isso, devem pagar uma taxa, abrir sede no Brasil, possuir reserva financeira de R$ 5 milhões e usar .bet na URL do seu site. Uma vez legais, vão pagar imposto de 12% sobre o ganho líquido.

De acordo com o Executivo, entre 41% e 51% das casas de apostas seriam irregulares, totalizando 25,2 milhões de usuários brasileiros.

Copa do Mundo e as bets legais

Por outro lado, as bets legalizadas no país continuaram ganhando público e dinheiro ao longo da Copa.

A receita bruta das bets legais no Brasil deve chegar a R$ 10,8 bilhões entre junho e julho de 2026. E a previsão de acessos no mesmo período é de 7,3 bilhões. Os dados são do Painel das Bets Copa do Mundo, da Aposta Legal, plataforma que oferece informações sobre o mercado de apostas.

Apenas no mês de julho, a expectativa é que o período chegue a 4,3 bilhões de acessos, quase o dobro da média entre os meses de janeiro a maio, quando chegou a 2,1 bilhões, e que foi o maior pico histórico de engajamento do setor no país.

Entre as empresas de apostas de quota fixa legais no país, a Betano lidera o market share com 18,8% e é a casa mais acessada com 1,37 bilhão de acessos projetados. Superbet é a segunda, Brazino777 a terceira, seguida por 7games e Bet365. As cinco somam 50,4% do tráfego e a Aposta Legal projeta faturamento de R$ 5,4 bilhões em receita bruta no período.

Entre junho e julho, as casas de apostas somam R$ 1,41 bilhão em arrecadação de impostos.

Por região, Norte e Nordeste concentram o maior número de apostas no país durante a Copa do Mundo 2026, como os estados Pernambuco, Amazonas e Amapá no topo do ranking.

Na Copa do Mundo

Logo no início da Copa do Mundo 2026, as propagandas tomaram as televisões e as transmissões de jogos e, por conta do assédio intenso, a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública) entrou com uma investigação preliminar sobre irregularidades na veiculação de propagandas no canal esportivo, em especial no uso de apresentadores, comentaristas e narradores em ações promocionais que extrapolam a simples veiculação de anúncios publicitários das bets, como:

  • Divulgação de QR codes;
  • Promoções de uso das plataformas;
  • Odds (cotações/chances em apostadas) elevadas;
  • Mensagens estimulando os telespectadores a fazerem apostas durante as transmissões dos jogos.

No Senado

E, em paralelo à ação do Executivo, o Senado aprovou nesta quarta-feira, 8, o Projeto de Lei de Conversão 8/2026, enviado pelo governo federal, ao Congresso, que destina recursos obtidos de apostas para o fundo de aparelhamento das atividades-fim da Polícia Federal. A proposta já foi aprovada na Câmara dos Deputados e foi mantida sem alteração no Senado. O texto segue para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A proposta estabelece que até 3% da arrecadação das apostas seja destinada ao Funapol (Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal) de forma gradual: 1% em 2026, 2% em 2027 e 3% a partir de 2028. Os recursos serão provenientes da fatia da arrecadação atualmente direcionada à seguridade social.

De acordo com o governo, a iniciativa tem como objetivo assegurar uma fonte estável de financiamento para as atividades da Polícia Federal, sem gerar novas despesas obrigatórias para a União.

Pesquisa Mobile Time/Opinion Box

De acordo com a pesquisa SuperPanorama de Mobile Time/Opinion Box divulgada em junho, 16% dos brasileiros fizeram pelo menos uma aposta em bets no último ano. O seu uso é mais frequente entre homens (18,9%) que entre mulheres (13%), e maior entre jovens de 16 a 29 anos (18,2%), ante pessoas de 30 a 49 anos (17,2%) ou com 50 anos ou mais (12,1%). Na comparação por classe social, a diferença é menor: A e B (14,5%), C (14,8%) e D e E (17,2%). Entre os usuários móveis que se declaram apostadores, 44% perderam dinheiro, 29% dizem que ganharam dinheiro com as apostas e 27% não ganharam e nem perderam com o uso das bets.

 

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