Em 2021, o RBM (Rich Business Messaging) deverá corresponder a cerca de 10% da receita do SMS A2P no Brasil, prevê Yuri Fiaschi, vice-presidente global de vendas da Infobip. Em entrevista para Mobile Time, o executivo falou sobre modelo de negócios, expectativas para as primeiras campanhas e impacto da chegada deste novo canal de mensageria ao mercado nacional.

Mobile Time – Qual vai ser o modelo de negócios adotado pela Infobip para RBM? Vai cobrar por mensagem e sessão, como fazem as operadoras, ou por usuário ativo mensal ou alguma outra métrica?

Yuri Fiaschi – Nós ficamos muito felizes em ver que as operadoras superaram o modelo tradicional por mensagem e estão trabalhando com algo mais elaborado, que faz mais sentido para os negócios. Acreditamos que a tarifa por sessão vai funcionar perfeitamente com a natureza conversacional do RBM. O desafio que vemos seria caso as operadoras não alinhassem o modelo de cobrança por sessão, o que não foi o caso no Brasil, aonde elas acordaram um modelo único. Eu acredito que você se recorda que essa era uma das nossas preocupações quando fizemos juntos um dos primeiros workshops do mercado para falar sobre RCS, colocando todas as operadoras juntas no mesmo espaço para discutir isso. A Infobip quer oferecer aos nossos clientes modelos de cobrança que sejam intuitivos, simples e fáceis de calcular, alinhados com a necessidade do negócio do cliente. Em geral seguiremos a mesma linha das operadoras tendo um setup fee + mensagens e sessão.

Yuri Fiaschi, vice-presidente global de vendas da Infobip

Como está sendo a experiência da Infobip com RBM no México? Quais as aplicações mais adotadas lá até agora? Quais operadoras participam? Teria números sobre volume mensal de mensagens da Infobip no México com RBM e a diferença de conversão em relação ao SMS?

Estamos tendo muito sucesso com marcas no mercado mexicano, aonde estamos vendo a utilização das rich functionalities disponíveis no RBM gerando um engajamento muito grande nas campanhas. Em comparação ao SMS, todas as campanhas de RCS mostraram um aumento significativo na interação com os clientes e nos resultados de vendas.

Em relação às operadoras no México, elas não lançaram o serviço de uma maneira coordenada como no Brasil, mas todas são acessíveis ou diretamente, ou através do Google Cloud. No momento não podemos divulgar números específicos, mas temos alguns casos de sucesso com boas comparações entre o RCS e o SMS.

Já tem clientes testando RBM com vocês no Brasil? Ou quando devem acontecer as primeiras experiências? Já sabe para que tipo de aplicação e de cliente?

A Infobip já vinha testando o RCS com algumas marcas e operadoras desde o final de 2019. Atualmente temos clientes do mercado de planos de saúde, cobrança de recebíveis e marketing, com campanhas variadas como anúncio de produtos, envio de boletos e mensagens promocionais. O anúncio conjunto das operadoras e do Google renovou a energia no mercado para o RCS e muitas marcas nos procuraram para saber como incluir o RCS na estratégia de comunicação digital deles.

Quais são suas expectativas para o RBM no Brasil este ano e/ou para 2021 em volume de mensagens ou volume de sessões?

É difícil estimar volumes de mensagens ou sessões precisamente pela diversidade de utilizações que o canal pode trazer, até mais diverso que o Whatsapp atualmente. A Infobip entende e aposta que RCS vem para criar novos serviços e demanda, portanto, vai ser um canal de comunicação que vai crescer exponencialmente, principalmente no Brasil, dadas a penetração do Android no mercado e essa bem-vinda coordenação entre as operadoras para desenvolver o RCS/RBM, que vai facilitar a disseminação do serviço.

A minha expectativa pessoal é que em 2021 RCS tenha uma representação de no mínimo 10%, considerando o volume e faturamento total de SMS – o que é bem interessante para o mercado de mensageria.

No RBM, além dos brokers tradicionais oriundos do SMS A2P, haverá alguns novos players, então a competição será maior. Como a Infobip se diferencia nesse cenário mais competitivo?

Trabalhar com marcas e operadoras no RBM é uma extensão natural da nossa colaboração nesse ecossistema de canais digitais de comunicação entre clientes e marcas. Por termos uma plataforma omni com presença global, temos uma perspectiva única que nos posiciona bem para lançar um novo canal como esse de uma maneira rápida e eficiente. Apesar de global, a Infobip tem uma presença grande no Brasil com uma equipe de vendas e pré-vendas preparadas e à disposição para explicar as vantagens e funcionalidades do canal, bem como servir de consultor para guiar as marcas na melhor maneira de utilizar todos os canais disponíveis no mercado.

A Infobip entende que pode contribuir muito com um trabalho consultivo. Nós vamos para o mercado como uma empresa madura, que se preocupa muito com duas coisas: a jornada do cliente (usuário final) com uma experiência única e fornecer para o nosso cliente (empresa) a melhor solução possível.

A competição é algo saudável e entendemos que uma das vantagens da Infobip no mercado brasileiro é exatamente o alinhamento da experiência global com o conhecimento do mercado nacional, com todas as soluções que temos disponíveis. A Infobip não olha mais para um único canal pensando no faturamento dele, mas na melhor solução, oferecendo para nossos clientes soluções de engajamento completas com Data Analytics, que faz com que os nossos clientes tenham mais sucesso.

Você acha que o RBM canibaliza o SMS A2P? Por quê?

Tanto o SMS como o RCS/RBM são canais controlados pelas operadoras e vemos o RBM como uma evolução do SMS. Na maior parte dos casos as marcas continuarão a usar o SMS, por exemplo, para envio de informação aonde o tempo de entrega é crítico; o SMS pode ser combinado com o RBM para garantir que mensagens cheguem ao cliente com a urgência necessária. Por outro lado, devido às funcionalidades disponíveis e à natureza que incentiva a comunicação, o RBM deve gerar vários novos casos de uso, resultando em um crescimento significativo de tráfego. Não acreditamos que o RCS vá canibalizar o SMS A2P, pois entendemos que ele atenderá uma demanda do mercado por mensagens mais ricas, que não estão disponíveis no SMS. Trata-se da criação de novos serviços, que não estavam disponíveis em razão das limitações naturais do SMS. Além disso, os clientes que não estarão aptos a receber o RCS receberão mensagens SMS como fallback e isso pode acarretar um aumento de volume para esse canal.

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O head de vendas da Infobip no Brasil, Caio Borges, participará de painel sobre o mercado de plataformas de construção de bots durante o Super Bots Experience, seminário organizado por Mobile Time que será realizado nos dias 16, 17 e 18 de setembro. No painel, o executivo terá a companhia de Marcia Asano, COO e DPO da Wavy Global; Roberto Oliveira, CEO da Take; Rodrigo Scotti, CEO da Nama; e Vanessa Tiba, country manager da Altitude Software.

O evento trará ainda painéis sobre temas como: big bots no Brasil; os desafios na curadoria de bots; o mercado de assistentes de voz e voice bots em português; a importância de criar uma lei sobre inteligência artificial no Brasil; e a importância da diversidade e da linguagem inclusiva no desenvolvimento de bots.

A programação completa e mais informações estão disponíveis no site www.botsexperience.com.br ou com a equipe de eventos do Mobile Time: eventos@mobiletime.com.br / 11-96619-5888 / 11-3138-4619 (WhatsApp).