A expansão do 5G na América Latina está sendo desigual, segundo João Paulo Bruder, analista de telecomunicação da GlobalData. Ele explica que em países como Brasil, Colômbia e México, o número absoluto de assinaturas é mais significativo. No caso brasileiro, 21% da base de clientes tem conexão 5G, o que equivale a 58 milhões de assinaturas, quase cinco vezes maior que o registrado no Chile, onde 42% da população tem acesso ao 5G, que totaliza apenas 12 milhões de usuários. Apesar do grande potencial, Bruder aponta que a expansão é um processo desafiador.
“As operadoras querem aumentar sua cobertura e sua receita, mas a questão é como fazer isso, se nem mesmo o modelo de negócio está bem consolidado”, explicou no Webinar Industry Outlook Brasil, realizado online nesta terça-feira, 10, com organização da Conecta Latam. Um exemplo disso é o fato de que o mercado 5G foi um importante avanço no B2C, mas no B2B ainda tem dificuldades para gerar receita.
A infraestrutura também é uma questão. Renato Pasquini, vice-presidente de pesquisa da Frost & Sullivan, observou que, “na América Latina, ainda 2/3 das conexões são 4G, algo similar ao cenário no Brasil”. Ele destacou que a conexão 5G para IoT industrial avançou de forma expressiva apenas no setor automotivo.
Não é exclusividade local
De acordo com Pasquini, expandir o 5G também não foi um processo simples nos Estados Unidos, onde a monetização não correspondeu às expectativas das operadoras no setor corporativo. “A maior parte da capacidade foi vendida para fazer banda larga fixa, com o objetivo de oferecer um serviço de qualidade. Uma solução encontrada para uma estratégia mal sucedida “, disse. Para ele, o principal erro do país foi apostar no espectro e no lançamento da infraestrutura sem uma rede 5G standalone.
Ao contrário dos países americanos, a China conseguiu ter um bom êxito no B2B e dois fatores foram cruciais: a coordenação do governo e, o desenvolvimento das redes industriais e aplicações em escala. “Eles estão anos-luz à nossa frente quando o assunto é IoT industrial”, destacou o vice-presidente da Frost & Sullivan.
Análises de 2025 e expectativas para 2026
Para os especialistas, houve uma expansão na rede 5G e no cabeamento internacional, o que aumentou a conexão entre América Latina e outras regiões, algo fundamental para atrair mais data centers para a região, especialmente no Brasil, por conta da energia renovável. Para Pasquini, os centros de dados são o “tema mais quente do setor”. Ele observa que empresas responsáveis por essas centrais estão buscando locais mais baratos e não necessariamente próximos do consumidor final.
Bruder considera, inclusive, que a principal expectativa no Brasil será em relação à regulação de IA. Já em termos de tendências, ele apontou a inclusão de outros serviços dentro do ecossistema das operadoras, como assinaturas de conteúdo e serviços em nuvem. Enquanto o vice-presidente da Frost & Sullivan, vê as AI factories como tendência. “As empresas estão avançando quando o assunto é inteligência artificial, usando modelos mais sofisticados para otimizar operações, reduzir custos operacionais e terem novas receitas”, afirmou o vice-presidente da Frost & Sullivan.
O líder da prática de operadoras da Omdia, Ari Lopes, avalia que o mercado está conseguindo se manter graças à migração de usuários do pré-pago para o pós-pago e pela elevação dos preços, mas alerta: “Ambas são estratégias limitadas. Não será possível basear a empresa nessas frentes por um longo tempo, o que é um desafio”, afirmou no evento. Ele também aponta que, no Brasil, a penetração da banda larga fixa é de 65%, mas mesmo com espaço para crescimento, ela está cada vez mais difícil. Embora os balanços do quarto trimestre de 2025 ainda não tenham sido divulgados, Lopes acredita que a expansão do mercado deve ter ficado entre 1% e 2% em 2025.


