O projeto da Sabesp com a Vivo vai muito além da instalação de 4,4 milhões de hidrômetros em São Paulo e São José dos Campos. De acordo com Luiz Renato Fraga, diretor de receita da concessionária, a iniciativa utiliza a tecnologia com telemetria e internet das coisas para colocar o usuário no centro da gestão do consumo da água. Essa gestão da água passa por criar um arcabouço técnico com conectividade celular que inclui:
- Ter o hidrômetro inteligente com captura e envio de dados (24 pacotes por hora e um diário com resumo) para enviar ao usuário informações de consumo, além de proteção antifurto;
- Mudar o app da Sabesp (Android, iOS) para informar o consumidor sobre o uso de água hora a hora e fazer um resumo do dia, solução realizada com algoritmos de inteligência artificial;
- Um mapa inteligente por meio de macromedição para a equipe de gestão na Sabesp.
Ou seja, em uma ponta a Sabesp informará o consumidor sobre o uso de água na sua residência, de modo que possa entender o quanto está usando, se programar para consumir menos e até identificar vazamentos por meio de alertas que virão pelo app, como aviso de consumo de água contínuo nas últimas 24 horas ou picos de consumo.
Do outro lado, com o seu mapa inteligente, a concessionária terá um painel para analisar se o volume que sai de suas estações é o mesmo que chega na casa do cliente e, com isso, perceber se há vazamentos no caminho ou problema na pressão de água.
“Nós teremos a macromedição daquele subsistema e todos os medidores em um subsistema. Quando subtrairmos tudo que passa, nós veremos a diferença. Poderemos ver as maiores perdas, queda de pressão e direcionar as equipes para correção”, disse o diretor. “Ao mesmo tempo, o consumidor tem uma medição que o ajuda a fazer a gestão, reduzir desperdícios e detectar vazamentos antes de virar o mês. Isso muda o patamar, ao colocar o cliente como protagonista da gestão da água”, completou.
Estratégia da Sabesp
Em conversa exclusiva com Mobile Time nesta quinta-feira, 12, o executivo detalhou que o projeto terá 1,3 milhão de hidrômetros instalados neste ano, sendo 1,1 milhão na capital paulista e 200 mil em São José dos Campos – a totalidade na cidade do interior do estado.
A escala de implementação em São Paulo deve ser similar (na casa do milhão) em 2027, 2028 e 2029 com os locais de mais difícil acesso ficando para o final do projeto. Contudo, há uma expectativa de aceleração e as 4,4 milhões de instalações podem ser concluídas ainda em 2028.
Fraga explicou que o projeto firmado em agosto de 2025 envolve todos os imóveis nas duas cidades, inclusive comércios, indústrias e rurais. Em caso de prédios com condomínios com alguns formatos de medição (centralizado com rateio da fatura, centralizado com registros individualizados de outros fornecedores e individualizados pela concessionária) a Sabesp pode atuar da seguinte forma:
- Trocando o hidrômetro central;
- Trocando o hidrômetro central e mantendo os individualizados de terceiros, mas a medição será apenas do centralizado;
- Trocando o hidrômetro central e os individualizados de terceiros ou não.
O executivo explicou ainda que o projeto deve resultar em redução de custos operacionais e eventualmente diminuir o valor da fatura para o consumidor, em especial no valor Real por metro cúbico; uma vez que a telemetria do medidor inteligente pode evitar vazamentos, o consumo individualizado digital deixa o consumidor mais consciente e a Sabesp terá mais eficiência operacional com redução de erros na leitura, atacando os problemas diretamente e o fim dos leituristas.
Especificamente sobre o fim dos profissionais de leitura, Fraga afirmou que a Sabesp está priorizando a recolocação desses trabalhadores para outras áreas da empresa.
IoT na veia
Segundo Adriano Pereira, diretor de IoT, big data e inovação B2B da Vivo, o projeto não precisará de reforço de serviço de comunicação, inicialmente. Feito por meio de rede NB-IoT na frequência de 700 MHz, o projeto conta com equipe dedicada da operadora e teve laboratório para testar a viabilidade da rede e dos equipamentos antes de começarem a ser instalados.
O diretor da operadora disse ainda que o “grande segredo do projeto” foi dar mais longevidade à bateria do hidrômetro, algo que pode ser feito pela escolha do NB-IoT. Fraga, da Sabesp, disse ainda que a partir do benchmark que fizeram, o NB-IoT se demonstrou mais viável para o projeto no Brasil, devido à cobertura e ao baixo consumo de energia da bateria no hidrômetro.
Atraindo olhares e informações de empresas de diversos lugares, o projeto da Sabesp com a Vivo é considerado hoje o maior em NB-IoT do mundo. Com isso, Pereira reconhece que a Vivo está sendo procurada não apenas para consultoria, mas também para preparar projetos similares em medição inteligentes por empresas públicas e privadas, sendo que cada um tem suas diferentes necessidades.
“Nós falamos muito de transformação digital e como as pessoas interagem com a vida. Esse projeto é um exemplo de como a transformação traz impacto real para as pessoas e o planeta. É desafiador e um processo que não é simples, mas conseguimos orquestrar de forma transparente e clara”, completou Pereira.
Posteriormente, o executivo afirmou que a IA deve entrar no mapa inteligente da Sabesp para ajudar as equipes da concessionária na antecipação de problemas da rede de água.
Imagem principal: Ilustração produzida por Mobile Time com IA.

