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Alex Bretzner, cofundador e CMO da Daki: “Para garantir a experiência do cliente, é importante ter controle da qualidade, o que passa pela verticalização do modelo de negócios” (Foto: Gabriel Reis)

Que tal receber as compras de mercado em apenas 15 minutos? Essa é a proposta da startup paulistana Daki (Android, iOS), que conta com 10 unidades em São Paulo operando em modelo de “dark store”, com planos de chegar a 100 até o final do ano, expandindo-se para outras capitais. Para cumprir a promessa, a Daki combina uma estratégia de verticalização do negócio, inteligência artificial e bikes elétricas, conforme conta para Mobile Time um de seus fundadores e CMO, Alex Bretzner.

“Iniciamos a operação em 15 de janeiro deste ano com nossa primeira loja em Pinheiros, São Paulo. A ideia era testar o modelo e garantir que existiria demanda para o que propomos. O resultado foi espetacular. Nossa loja gerou resultado positivo em 60 dias. Havia uma demanda latente”, relata o empreendedor, que criou a Daki com os sócios Rafael Vasto e Rodrigo Maroja.

Para conseguir entregar tão rapidamente, a Daki segue uma estratégia de verticalização. É a dona das lojas, gerencia os estoques e tem sua própria equipe de shoppers e de entregadores. 

“Para garantir a experiência do cliente, é importante ter controle da qualidade, o que passa pela verticalização do modelo de negócios. Botamos tudo para dentro de casa. Somos donos da loja e dos produtos. Quem monta o pedido são funcionários com CLT da Daki. E quem leva até a residência do cliente são entregadores exclusivos da Daki. Não dependemos de ninguém, temos a operação toda. Se vendo um determinado produto é porque tenho ele na prateleira e tenho o entregador na minha frente, pronto para entregar no prazo combinado”, afirma Bretzner.

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App da Daki

Suas lojas não recebem público: funcionam apenas para o armazenamento dos produtos, como se fosse um minicentro de distribuição. Ao contrário dos supermercados, que operam com dezenas de milhares de produtos diferentes, a Daki limita o seu estoque a cerca de 1 mil SKUs diferentes. Em vez de trabalhar com dezenas de marcas para um tipo de produto, a startup escolhe no máximo três opções: uma barata, uma média e uma premium. A seleção é feita com base em dados e inteligência artificial, cujo algoritmo foi escrito pela própria empresa. Assim, o sortimento pode variar de bairro para bairro. “O molho de tomate que vendo em um bairro pode ser diferente de outro. Olhamos de acordo com o perfil do público, com base nos dados de compras. Cada venda ajuda a melhorar nossa inteligência artificial para saber com quais marcas devemos abastecer cada loja”, explica. 

A inteligência artificial também é utilizada para determinar a hora de reabastecer e a quantidade a ser comprada de cada produto, antes que aconteça uma ruptura de estoque.

Todo esse cuidado e tecnologia impactam na qualidade do serviço. De acordo com o executivo, 95% dos produtos são entregues conforme a venda, ou seja, sem precisarem de substituição. “Em outros apps, um em cada três produtos são substituídos”, compara.

Entregas

O horário de funcionamento é um diferencial em comparação com a maioria dos mercados: a Daki opera de 7 da manhã à 1 da manhã. 

Outra particularidade é que seus entregadores usam bicicletas elétricas para o deslocamento, que costuma ser de até 4 Km, dependendo da topografia da região. O veículo se mostrou mais eficiente e mais econômico que motocicletas, cuja manutenção custa caro.

Os pedidos são feitos via app, com pagamento por cartão de crédito – em breve haverá também opções de débito, vale refeição e vale alimentação. E os preços são competitivos, garante Bretzner, graças à estrutura enxuta e à eficiência na operação.

Fusão

A Daki não abre seus dados operacionais, mas informa que vem dobrando de tamanho a cada mês desde seu lançamento, em janeiro passado. A expectativa é entrar em outras capitais das regiões Sul, Sudeste e talvez Nordeste ainda este ano, chegando a 100 unidades até dezembro.

A Daki chamou a atenção de um player internacional com modelo similar, a JOKR, que atua nos EUA e em alguns países da América Latina, e que foi criada por Ralf Wenzel, fundador do Foodpanda e que até bem pouco tempo era um dos managing partners do Softbank Latin America Fund. Há cerca de um mês foi acertada uma fusão entre as duas companhias. A JOKR passou a ter 100% do controle da startup brasileira, mas, por enquanto, as duas seguem com operações independentes.