Em 2025, o Pix foi responsável por 80 bilhões de transações, um crescimento de 25% na comparação com o ano anterior e representou 374 transações por pessoa no período. O montante foi de US$ 6 trilhões. Em abril deste ano, 142 milhões de brasileiros iniciaram ao menos uma transação via Pix ou cerca de 93% da população adulta do país. E, com relação a comerciantes e empresas, foram 12 milhões recebendo transações via pagamentos instantâneos.
Os dados foram apresentados por Breno Lobo, chefe da Divisão de Gestão de Sistemas Pix do Banco Central do Brasil e vice-chefe do Decem (Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro), durante webinar Infraestrutura Pública Digital para pagamentos: soberania digital, interoperabilidade e proteção do consumidor, promovido pela FGV Direito Rio, nesta quinta-feira, 14.
Em 2024, 96,4% dos brasileiros possuíam contas bancárias, seja em fintechs ou bancos. Em 2019, o percentual era de 77,3%. “Tivemos uma forte redução do uso do dinheiro, contribuímos para a digitalização do mercado de pagamentos de varejo do país e para a inclusão financeira”, disse Lobo durante sua participação no evento.

Breno Lobo, chefe da Divisão de Gestão de Sistemas Pix do Banco Central do Brasil e vice-chefe do Decem. Crédito: reprodução de vídeo
Outro dado relevante é que 74% dos brasileiros que recebem benefícios sociais usam o Pix.
“O Pix não é algo que somente os mais escolarizados ou aqueles com alto nível financeiro usam. É um sistema que é fácil de usar para todos os brasileiros”, explicou.
Fraudes no Pix
De acordo com Lobo, em meados de 2024, o BC registrou 12 fraudes para cada 100 mil transações. “Não é um número relativamente alto, mas representou mais de 400 mil fraudes por mês. É como se 400 mil brasileiros tivessem perdido dinheiro através de transações fraudulentas”, contou.
Para aprimorar o sistema, o BC apresentou uma série de novas regras, que misturam obrigações, supervisão, do próprio órgão regulador, e penalidades (multas) para as instituições de pagamento que não implementam todos os processos exigidos pelo órgão regulador. Com isso, o BC foi capaz de reduzir o número de fraudes no Pix. Atualmente, são cinco fraudes por 100 mil transações.
Drex
Lobo também comentou sobre os pilotos realizados para a criação de uma CBDC (Central Bank Digital Currency), o Drex. Ao todo, foram dois pilotos, ambos finalizados em 2025. “Tivemos alguns problemas em relação à escalabilidade e à privacidade”, explicou.
Por conta dos percalços, o BC está ajustando a estratégia e procura casos de uso relacionados a pagamentos e crédito. O órgão regulador também testa outras tecnologias, no momento, inclusive o blockchain em uma versão “mais centralizada”.
“Ainda é um projeto estratégico para o BC, mas não sabemos quando vamos lançá-lo e se vamos lançá-lo”, resumiu. “Ele está se tornando uma infraestrutura financeira de mercado para contratos inteligentes, ativos tokenizados e para melhorar o desempenho desses ativos”, concluiu.

