O desenvolvimento dos carros elétricos no Brasil passa pela necessidade de ter carregadores elétricos que sejam conectados. Essa é a visão de Davi Bartoncello, CEO da Tupinambá Energia, uma empresa que oferece uma rede de eletropostos que podem ser encontrados via aplicativo próprio, além de outros pontos de recarga.

“O mobile é extremamente importante (para o ecossistema de carros elétricos). Não é a questão de carregadores, mas sim carregadores conectados. Na nossa plataforma é pelo aplicativo que a mobilidade elétrica acontece”, diz Bartoncello em conversa recente com Mobile Time. “Estamos falando de um carregador para cada 10 carros elétricos nos Estados Unidos. No Brasil essa relação ainda é maior, um para 16. Mas o problema maior não é nem só esse número, mas a quantidade de pontos conectados”, completa.

Vale dizer, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) estima que o País tinha 131,7 mil veículos elétricos em janeiro deste ano. Se considerar apenas os carros emplacados, 4,5 mil automóveis elétricos chegaram às ruas brasileiras no último mês, sendo 1,4 mil no estado de São Paulo.

De acordo com dados da companhia, o app da Tupinambá Energia (Android, iOS) foi lançado em julho de 2019 e tem 10 mil downloads. 80% dos usuários utilizaram mais de uma vez o aplicativo e 75% deles estão na cidade de São Paulo.

Tecnologia

Atualmente, a companhia tem 250 carregadores conectados em nove estados do Brasil, além de seu app mostrar 2,5 mil pontos de recarga. Esses pontos de recarga conectados têm Wi-Fi e 4G para, permitindo que o motorista reserve vagas e pague diretamente via app.

O serviço de entrepostos da companhia funciona para empreendimentos comerciais, residenciais e frotas, inclusive com software de gestão. Entre seus parceiros estão 99, Uber, Renault, JHSF, Movida, Carrefour e Stellantis. Também há espaço para publicidade de Digital Out of Home (DOOH) com telas nos carregadores.

Parcerias

O CEO da companhia explicou que pretende avançar em mais ofertas de atendimento a frotas neste ano. Em 2022, a empresa atendeu companhias de logística de last mile, mas agora o objetivo é avançar mais no segmento corporativo.

“A vantagem dos carregadores conectados é que é um benefício controlável. Com dois a três carregadores você atende 1 mil pessoas em uma empresa. Já temos duas a três parcerias assim”, explica.

Conectividade

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Imagem do app para motoristas (Foto: divulgação)

Bartoncello explica ainda que procura mais parcerias para melhorar sua plataforma, como em conectividade, uma vez que a companhia tem as redes móveis como principal vetor de seus negócios: “Temos total interesse em parceria com operadoras, mas hoje não tenho. Hoje eu sou um comprador-consumidor deles”, diz.

“Nos EUA hoje, em 75% dos Great Place To Work, o carregamento elétrico é um benefício para o trabalhador. Benefício é um mercado que está crescendo no Brasil”, completa.

Futuro

Após receber R$ 10 milhões em investimento capitaneado pela Raízen em 2022, a Tupinambá Energia prepara mais uma rodada para 2023. Com o aporte, a companhia prevê expansão para outros estados brasileiros e ter entre 800 e 1 mil carregadores conectados em todo o País.

Um dos motivos para o avanço é uma recente pesquisa da Hello encomendada pela Tupinambá de setembro de 2022 que mostra o desejo de o brasileiro ter um carro elétrico. Dos 1,6 mil entrevistados, 58% disseram que pretendem comprar um carro elétrico. Entre os motivos citados estão o preço da recarga (72%), sustentabilidade (44%), praticidade (27%) e tecnologia (12%).

Contudo, Bartoncello sabe que diferentemente da primeira geração da mobilidade elétrica (1.0), as empresas do setor devem trabalhar em conjunto para expandir o acesso desta tecnologia à população. Explicou que quando a Tupinambá começou a operar no Brasil, em 2019, o objetivo do setor era criar soluções de “one stop shop”, ao unir hardware e software. Mas com a evolução e o aumento da demanda, o segmento como um todo começou a ficar mais maduro.

“Hoje vemos os países mais maduros entrando na mobilidade elétrica 2.0. O ecossistema fica mais fortalecido, pois cria oportunidades para cada um trabalhar a sua ‘fortaleza’. É o nosso caso. Hoje a Tupinambá está mais focada na nossa jornada de mobilidade”, concluiu.