A Vivo adiantou em cinco anos a sua meta de zero emissão de carbono (net zero), de 2040 para 2035. De acordo com o CEO da operadora, Christian Gebara, o adiantamento é baseado em novas metas de diversidade, economia circular e clima. Vale destacar o esforço da empresa em ajudar seus fornecedores a atingirem a transição de baixo carbono.

Após atingir 90% de redução nas próprias emissões de carbono em 2023, a Vivo quer apoiar seus parceiros. Atualmente, a empresa tem 1,2 mil fornecedores em setores como eletroeletrônicos, equipamentos de rede, materiais de rede, serviços de rede, além de transporte e logística, sendo que 60% dessas firmas estão comprometidas com o clima.

Mas a maioria das empresas que têm alto consumo de carbono estão entre as pequenas e médias fornecedoras.

De acordo com o vice-presidente de relações institucionais e de sustentabilidade da Vivo, Renato Gasparetto, a operadora mapeou e encontrou 125 consumidores intensos de carbono entre os fornecedores (85% do total das emissões). Gasparetto afirmou que será feita uma conversa “um a um”, ou seja, empresa a empresa, em um programa intenso para esses fornecedores serem Net Zero até 2035. Isso inclui apoio de uma empresa de consultoria bancada pela Vivo para ajudar os parceiros.

“Agora não é ser só Net Zero dentro de casa, mas em toda a cadeia de valor. Esse programa para as fornecedoras inclui sensibilização sobre o tema do ESG [sustentabilidade social, social e de governança], inventário de emissão (de carbono), estratégia, plano de ação e mensuração dos resultados”, disse o VP da Vivo ao Mobile Time.

Gasparetto afirmou que parte dessa estratégia também afetará os contratos de negócios da Vivo com os fornecedores, algo que inclui “exigências ambientais”. Mas explicou que é uma ação com “etapas de contribuição” da Vivo para os seus parceiros.

Diversidade e economia circular

Vivo ESG DAY. Credito Vagner Medeiros

VP da Vivo, Renato Gasparetto (esquerda) mediando painel de ESG (crédito: Vagner Medeiros/Vivo)

As outras metas apresentadas por Gebara consideram a ampliação da diversidade dentro da operadora e o crescimento das ações de economia circular. Em diversidade, a Vivo quer aumentar os percentuais de pluralidade de líderes e colaboradores de etnias e gênero, isso inclui:

  • Mulheres em cargo diretivo, de 32% do total no primeiro trimestre de 2024 para 40% no final de 2035;
  • Mulheres na liderança da operadora, de 37,5% para 45%;
  • Negros na liderança, de 33% para 40%
  • Colaboradores negros, de 42% para 45%.

Em economia circular, o CEO da Vivo afirmou que deseja coletar 235 toneladas de resíduos eletrônicos (smartphones, celulares, tablets, PCs, cabos descartados, por exemplo) em 12 anos. Se somar as 150 toneladas de equipamentos já coletados nos últimos sete anos, a operadora quer um total de 375 toneladas de resíduos eletrônicos coletados em 2035.

Ao todo, a Vivo tem atualmente 1,8 mil pontos de coleta em suas lojas no Brasil. Historicamente, a companhia tem 5,2 milhões de equipamentos coletados e 1,1 milhão de handsets reciclados.

Energia

Gebara afirmou ainda que alcançou ser “uma empresa 100% com energia renovável” em 2018, ou seja, 12 anos antes da meta. Afirmou que pretende ampliar de 67 para 85 usinas em seu projeto de geração de energia distribuída que “dará toda cobertura energética de baixa tensão da Vivo” em eólica, biogás ou hídrica. As ações da Vivo são baseadas no Acordo de Paris de 2015 que visa a limitação global de 1,5 grau Celsius até 2050, algo que precisa de uma redução de 50% das emissões globais de carbono até 2030.

Impactos

Prof Carlos Nobre Credito Vagner Medeiros

Professor da IEA-USP, Carlos Nobre (crédito: Vagner Medeiros/Vivo)

Convidado pela Vivo, o professor do IEA-USP e copresidente do Painel Científico Para a Amazônia, Carlos Nobre disse que o mundo completou um ano com temperaturas 1,5 grau Celsius acima da média em fevereiro deste ano. Afirmou ainda que mesmo com cenário de reduções de carbono em 2030, se projeta um aquecimento de 1,5º na década de 2030 devido ao acumulado das emissões já ocorridas. Em 2030 haverá um aumento de 3ºC e em 2070 será de 4ºC, o que pode resultar em menos chuva na Amazônia e nordeste e mais chuva no sul do Brasil.

Para evitar este cenário calamitoso é necessário:

  • Evitar desmatamentos e incêndio em vegetação;
  • Conservação e restauração florestal;
  • Compromissos de governo de políticas de sustentabilidade;
  • Uma nova bioeconomia de floresta saudável e em rios.

Nobre afirmou que isso passa pela adoção de uma “economia circular” e “adoção de uma estratégia de tecnologia digital inclusiva” em todos os setores da sociedade, da economia e dos serviços públicos, como saúde, educação e assistência social.