Os profissionais autônomos que trabalham como motoristas ou entregadores para aplicativos como 99, iFood, Rappi e Uber serão duramente afetados economicamente pela pandemia do coronavírus se forem infectados ou se precisarem ficar em quarentena em caso de suspeita de contaminação. Para minimizar o problema, as quatro empresas prometem ajudar seus colaboradores financeiramente.

A chinesa DiDi, controladora do 99, criou um fundo global de US$ 10 milhões “para apoiar os motoristas e entregadores parceiros da empresa que forem diagnosticados com COVID-19 nos mercados onde atuam.” As formas de solicitar a ajuda serão divulgadas nos próximos dias.

O iFood, por sua vez, criou um fundo solidário com R$ 1 milhão, para dar suporte aos seus colaboradores que necessitem permanecer em quarentena. O fundo será gerido pela Ação da Cidadania e os detalhes sobre sua utilização serão divulgados em breve. 

O Rappi também criou um fundo para ajudar seus colaboradores, mas não informou ainda o valor destinado a ele. “Criamos um fundo para proteger nossa comunidade de entregadores parceiros e estamos importando centenas de milhares de géis e máscaras antibacterianas – além de estarmos realizando campanhas de educação, autocuidado e prevenção”, disse o CEO em mensagem no último domingo.

O Uber, por fim, promete uma assistência financeira por até 14 dias para seus motoristas ou entregadores diagnosticados com COVID-19 ou que estejam em quarentena solicitada por uma autoridade de saúde pública. “Já ajudamos motoristas parceiros em algumas áreas afetadas e estamos implementando essa medida rapidamente em todo o mundo”, informa o site da empresa no Brasil.

ATUALIZAÇÃO EM 19 de MARÇO: O iFood anunciou na noite da última quarta-feira, 18 de março, a criação de outro fundo, este no valor de R$ 50 milhões, para ajudar restaurantes parceiros durante a pandemia. Os detalhes sbre sua utilização serão divulgados na semana que vem.

Bloqueio de motoristas

Algumas empresas já estão adotando o bloqueio temporário das contas de colaboradoras infectados em alguns países. É o caso da Uber, que informa estar em contato com autoridades de saúde pública no combate à epidemia. “Durante o nosso trabalho com as autoridades, é possível que ocorra a suspensão temporária de contas de usuários ou motoristas parceiros após a confirmação de que contraíram ou foram expostos ao COVID?19. Também contamos com a consultoria de um epidemiologista para garantir que as medidas tomadas por nossa empresa sejam embasadas em orientações médicas”, diz o site da empresa.

Por sua vez, a 99 definirá nos próximos dias como funcionará o bloqueio provisório de motoristas parceiros relacionados ao diagnóstico do coronavírus.

Economia

De acordo com uma pesquisa inédita realizada por Mobile Time e Opinion Box em novembro do ano passado, 32% dos internautas brasileiros com smartphone geram renda através de serviços prestados por meio de apps móveis. E quase um terço desse grupo declara que os apps são sua principal fonte de renda. Cruzando com dados do IBGE e de outras pesquisas, isso significa cerca de 13 milhões de pessoas. Cabe ressaltar que nesses números estão contidos não apenas motoristas e entregadores, mas também quaisquer outros profissionais autônomos que consigam serviços ou vendas de produtos através de apps, como esteticistas, manicures, artesãos etc.